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Paramilitares do Sudão se preparam para atacar El Obeid, uma das maiores cidades

Paramilitares de Sudão avançam sobre El Obeid; milícias cercam a cidade enquanto o exército fortifica posições, agravando crise humanitária de meio milhão de residentes

Altos mandos del ejército sudanés en El Obeid, en septiembre de 2025.
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  • As Forças de Apoio Rápido (RSF) se preparam para atacar El Obeid, uma das maiores cidades do Sudão, reunindo milhares de combatentes ao redor da capital do estado de Kordofán Norte.
  • Em El Obeid vivem cerca de meio milhão de pessoas, grande parte deslocadas, e a cidade segue sob controle do exército desde o início da guerra.
  • A RSF intensificou ataques com drones contra alvos civis; o exército fortifica posições com trincheiras, artilharia e drones, enquanto unidades aliadas promovem emboscadas para manter a cidade afastada.
  • Se dominar El Obeid, a RSF consolidaria o controle sobre Darfur e Kordofán Oeste, ampliando a fractura do país e aumentando o risco para o entorno de Jartum.
  • O contexto international permanece silencioso; ONU criticou a inação da comunidade internacional. Desertaram, recentemente, um assessor próximo ao líder da RSF e outras figuras militares relevantes, ao lado de tensões tribais internas.

Os paramilitares de Sudão, as RSF, se preparam para abrir uma nova ofensiva contra El Obeid, cidade entre Darfur e Kordofán. Milhares de efetivos foram deslocados ao entorno da capital de Kordofán Norte, alvo estratégico para o controle regional. A ameaça ganhou força após meses de relativa estagnação no front.

El Obeid abriga estimados 500 mil habitantes, grande parte deslocados internos. A cidade tem passado sob proteção das forças governamentais desde o início da guerra civil, em 2023. O controle regional depende da circulação entre os acampamentos de Darfur e o centro do país.

Desdobramentos militares

Nas últimas dias, as RSF enviaram contingentes e dezenas de veículos blindados a áreas rurais ao norte e oeste de El Obeid. O Exército sudanês reforçou posições, ergueu trincheiras e utiliza artilleria e drones para defensiva. Incursões de forças associadas também visam manter os paramilitares distantes da cidade.

As RSF vêm associando o deslocamento no entorno de El Obeid a ataques com drones contra alvos civis, inclusive uma importante estação elétrica. O apagão causado afetou o abastecimento de água e a operação de unidades de combustível na região.

Motivações e histórico político

No conflito, a cidade foi isolada pela RSF no início da guerra, mas não foi tomada de imediato, pois o foco estava em Jartum. Com a retomada da capital pelo Exército, houve um impulso para avançar no oeste, porém a ofensiva estagnou. Atualmente, RSF consolidaram controle em Darfur e Kordofán Oeste, buscando rodear El Obeid.

Essa estratégia mantém a cidade sob risco de novas ações militares e potenciais violações de direitos humanos, conforme relatos de organizações humanitárias sobre recentes ataques que comprometeram serviços básicos.

Reação internacional

O secretário-geral da ONU criticou a inação internacional e pediu que horrores em outras cidades não se repitam em El Obeid. O Conselho de Segurança e dezenas de países manifestaram preocupação, com chamados a corredores humanitários seguros para facilitar a ajuda aos civis.

Organizações locais de defesa humanitária demandam proteção para a população e evacuação segura de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Desafios internos às RSF

Internamente, as RSF enfrentam tensões entre tribos que compõem sua base, especialmente Salamat e Beni Halba, que disputam terras e recursos. Além disso, desertaram, em momentos distintos, conselheiros próximos ao líder da RSF, o que amplia incertezas sobre a coesão do movimento.

A instabilidade interna compõe o cenário, somando-se à pressão externa de uma ofensiva que pode ampliar a crise humanitária na região central do país.

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