- A jornalista Glòria Pallarès recebeu menção honorária no Trace Prize 2025 pela investigação sobre comunidades indígenas no Peru, Bolívia e Panamá que foram levadas a ceder direitos sobre milhões de hectares de florestas.
- Em janeiro de 2024, a apuração revelou uma rede de empresas que usava falsas alegações de apoio da ONU para obter contratos com comunidades, alguns vigentes por décadas.
- Ao todo, os direitos econômicos sobre mais de 9,5 milhões de hectares de florestas foram assinados sem consentimento pleno, com promessas vagas de empregos, projetos de desenvolvimento e retorno financeiro de créditos de carbono e títulos verdes.
- Um dos contratos mais grave envolveu 500 mil hectares da comunidade Matsés, no Peru; a empresa Get Life tinha capital registrado abaixo de US$ 700 e o dono não tinha experiência em finanças sustentáveis, trabalhando com Ysrael Urday, ex-funcionário público investigado por desvio de recursos.
- Após a apuração, o Matsés rompeu o contrato, a Conservation International rompeu vínculos com a Get Life, e contratos na Panamá e na Bolívia foram contestados ou revogados por questões de consentimento comunitário.
Mongabay anuncia que a pesquisadora Glòria Pallarès recebeu menção honrosa no Trace Prize 2025 pela investigação sobre como comunidades indígenas no Peru, na Bolívia e no Panamá foram levadas a ceder direitos sobre vastas florestas. O reconhecimento ocorreu em 28 de maio.
A investigação de janeiro de 2024 revelou uma rede de empresas que usava alegações falsas de respaldo da ONU para obter contratos com comunidades. Em alguns casos, os acordos vigoraram por décadas, sem consentimento pleno das comunidades.
No total, direitos econômicos sobre mais de 9,5 milhões de hectares de florestas foram assinados por meio desses esquemas. As promessas variavam entre empregos, projetos locais e retorno financeiro com créditos de carbono e bonds verdes.
Entre os contratos mais graves, destaca-se a cessão de 500 mil hectares da comunidade Matsés, no Peru, que faz fronteira com povos isolados. A empresa contratada foi a Get Life, com capital social inferior a 700 dólares.
O sócio único da Get Life não tinha experiência em finanças sustentáveis e mercados de carbono, segundo a reportagem. A pesquisadora revelou ligações dele com Ysrael Urday, ex-servidor público investigado por suposto desvio de recursos.
Um representante Matsés, que pediu anonimato por temer retaliação, afirmou não ter entendido o contrato, mas que houve promessas de empregos e apoio de organizações internacionais. A própria comunidade encerrou o contrato com Get Life.
Tanto a Conservation International quanto outras parcerias ligadas aos acordos foram desfeitas ou questionadas após a apuração. Contratos no Panamá e na Bolívia também passaram por revisão devido a consentimento comunitário.
Pallarès ressaltou que modelos financeiros não verificados proliferam em meio à falta de regulamentação e diligência. Ela disse aos jurados do Trace Prize que a menção honra sua luta contra falsas soluções.
Fonte do prêmio destacou que a reportagem oferece contribuição única para entender como inovações financeiras valorizam recursos naturais e podem explorar populações vulneráveis.
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