Em Alta Copa do Mundo NotíciasFutebol_POLÍTICA_Brasileconomia

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Ecologista diz que Austrália não atinge metas ambientais

Ecologista afirma que a Austrália falha em cumprir metas de biodiversidade, com orçamento ambiental de apenas 0,06% do gasto federal e mercado de restauração controverso

Black-flanked Rock Wallaby (Petrogale lateralis) in Cape Range National Park, Western Australia, Australia. The Australian Government has classed this wallaby as endangered under the EPBC Act. Image by Dsyzdek (CC BY-SA 4.0)
0:00
Carregando...
0:00
  • Especialistas dizem que a Austrália não está cumprindo seus compromissos internacionais de conservação, apesar de o país ser visto como líder em biodiversidade global.
  • Atualmente são mais de 2.200 espécies ameaçadas no país, e esse número continua crescendo.
  • O orçamento federal destina apenas 0,06% dos gastos à natureza, bem abaixo de outras nações industrializadas; especialistas defendem usar 1% do orçamento para conservar espécies e restaurar ecossistemas.
  • Propostas incluem reduzir subsídios a indústrias que prejudicam o ambiente (como o setor de fossil fuels) e taxar exportações de gás natural liquefeito em 25%, ideia apoiada por parte da população, mas ainda não adotada pelo governo.
  • Em vez disso, o governo lançou o “Mercado de Reparação da Natureza” (voluntário), que críticos dizem não proteger adequadamente a biodiversidade sem financiamento público e enfrentam limitações na avaliação de impactos cumulativos.

Australia enfrenta críticas de ecologistas sobre o cumprimento de metas ambientais. Segundo pesquisadores, o país está aquém do esperado no âmbito do Kunming-Montreal Global Biodiversity Framework, adotado pela ONU em 2022.

Euan Ritchie, professor de ecologia de vida selvagem na Deakin University, aponta que mais de 2.200 espécies estão sob ameaça no país, e a lista continua a crescer. A avaliação sugere falhas na implementação de compromissos internacionais.

Apesar de a Austrália ser economicamente desenvolvida, os recursos destinados à conservação estão em níveis baixos. O orçamento federal de 2024 reserva apenas 0,06% dos gastos ao meio ambiente, frente a referências de economias industriais.

Desempenho e propostas de financiamento

Ritchie e cerca de 60 especialistas defendem que seria suficiente destinar cerca de 1% do orçamento federal para proteger espécies ameaçadas e recuperar solos e rios. Em 2024, o Wentworth Group publicou um relatório com esse diagnóstico.

Pesquisa do Biodiversity Council indica apoio público ao aumento do orçamento para a natureza, com cerca de 95% dos australianos pesquisados favoráveis à medida. O grupo de cientistas afirma que o governo federal ignora essa maioria.

A alternativa proposta envolve reduzir subsídios a setores danosos, como o de combustíveis fósseis, estimados em cerca de 26 bilhões de dólares australianos por ano, ou adotar políticas de taxação de combustíveis fósseis para gerar receita adicional.

Controvérsias sobre medidas regulatórias

Apesar de apoio público, o governo não avança com a taxação de exportações de gás natural liquefeito, medida citada como forma de financiar conservação. Pesquisadores lembram casos de países que obtêm recursos por meio de tributos semelhantes.

Estima-se que o governo poderia arrecadar dezenas de bilhões de dólares adicionais com tributação de recursos naturais, segundo analistas independentes. A administração atual avalia caminhos diferentes para financiar ações de preservação.

Em vez disso, o governo planeja lançar o “Mercado de Reparação da Natureza”, um regime voluntário de compensação de biodiversidade. Pesquisas apontam que esse modelo, sem financiamento público robusto, tende a não proteger espécies em risco.

Contexto técnico e desafios

Especialistas destacam dificuldades de mensurar impactos ambientais de projetos de grande escala. Atualmente, padrões ambientais nacionais não consideram impactos cumulativos, o que dificulta a avaliação de riscos para espécies amplamente distribuídas.

Ritchie ressalta o que ele chama de “mortes por mil cortes”: um único projeto pode parecer envolvido, mas vários impactos paralelos sobre a mesma espécie não são avaliados de forma integrada.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais