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Cientistas estudam rãs da Amazônia antes de sumirem

Pesquisadores estudam anfíbios da Amazônia para registrar novas espécies antes que desapareçam, com mudanças climáticas e lacunas de conhecimento

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  • A Amazônia abriga cerca de 1,525 espécies de anfíbios, com registros de ocorrência confirmados para apenas cerca de 810; encontrar espécies novas em campo é comum, mas exige tempo e técnica.
  • O biólogo Igor Kaefer descreveu Amazophrynella bilinguis em 2019; fêmeas medem cerca de 2 cm e se camuflam facilmente entre folhas e galhos.
  • A pesquisa na região é desafiadora por infraestrutura limitada, áreas de difícil acesso e menor número de pesquisadores; no Norte do Brasil, apenas cinco grupos estudam anfíbios.
  • Mudanças climáticas aumentam riscos, com estudos mostrando que temperaturas mais altas reduzem massa de tadpoles e podem ampliar a toxicidade de pesticidas como o methomyl em algumas espécies, variando conforme a espécie.
  • A economista Karoline Ceron defende valorizar economicamente a conservação de anfíbios, estimando que eles evitam cerca de $1,18 bilhão em perdas agrícolas no Brasil e contribuem para a saúde pública ao controlar vetores de doenças.

MANAUS, Brasil — Em meio à folha seca da floresta, pesquisadores registram cantos de anfíbios com microfones direcionais. A busca por espécies ajudou a descrever Amazophrynella bilinguis em 2019, destacando o desafio de encontrar poucos exemplares.

A Amazônia abriga cerca de 1525 espécies de anfíbios, mas registros confirmados somam apenas ~810. No campo, uma nova espécie pode surgir, porém o trabalho leva anos entre coleta, análise e publicação, mesmo em áreas de difícil acesso.

Igor Kaefer, professor da UFAM, explica que o dia a dia envolve trabalhos de campo noturnos, proteção contra insetos e observação paciente — métodos que remontam a exploradores do início do século XX. Kochhann ressalta a diversidade reprodutiva como elemento-chave.

Desafios da pesquisa

Dados indicam que entre 2001 e 2010, apenas 12% dos estudos sobre anfíbios brasileiros focusaram espécies amazônicas, enquanto 60% ocorreram no Atlântico. Infraestrutura limitada e áreas remotas complicam a pesquisa na maior floresta tropical.

Azambuja estuda interações entre aquecimento, pesticidas e tadpóides. Em testes com duas espécies, temperaturas maiores reduziram o ganho de massa e aumentaram a toxicidade de pesticidas, revelando respostas diferentes entre espécies.

Riscos de extinção e conservação

Mais de 2 mil espécies de anfíbios são ameaçadas globalmente; 48% por perda de habitat. Mudanças climáticas, secas prolongadas e contaminação hydrica elevam os riscos, especialmente para anfíbios com respiração cutânea e baixa tolerância a desidratação.

Karoline Ceron defende atribuir valor econômico aos anfíbios no Brasil para influenciar políticas. Estima-se que essas espécies reduzam perdas agrícolas e controlem vetores de doenças, contribuindo para a saúde pública e a economia rural.

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