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Astrônomos celebram cancelamento de projeto de US$ 10 bi no Chile que ameaçava o céu

Cancelamento do projeto INNA evita impacto negativo às observações em Paranal, destacando a necessidade de proteção contínua aos céus do Atacama

A clear night at the Valle de La Luna in San Pedro de Atacama, Chile.
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  • Foi cancelado o projeto INNA, avaliado por quase um ano pela regulamentação ambiental do Chile, com valor de 10 bilhões de dólares e área de 3 mil hectares.
  • O plano incluía porto, ligações de transporte e três usinas solares, próximo a importantes observatórios, o que seria prejudicial à observação astronômica na região de Atacama.
  • A empresa AES Andes informou que decidiu cessar a execução do projeto; a avaliação ambiental confirmou a retirada formal.
  • Cientistas alertaram que a construção aumentaria poluição luminosa, vibrações, poeira e turbulência atmosférica, comprometendo instrumentos sensíveis.
  • A comunidade científica celebra a vitória, ao mesmo tempo em que destaca a necessidade de medidas de proteção efetivas aos sítios de astronomia no Chile, após apoio de uma carta aberta assinada por Reinhard Genzel.

O projeto INNA, de US$ 10 bilhões, foi cancelado, encerrando planos de instalar uma usina de hidrogênio verde e amônia em 3.000 hectares no deserto do Atacama, Chile. A iniciativa incluía porto, ligações portuárias e três usinas solares, e estava em avaliação ambiental há quase um ano. A decisão veio após negociações com o regulador ambiental.

A confirmação oficial veio da AES Andes, subsidiária da AES Corporation. O órgão ambiental chileno informou, após reuniões na semana passada, que o projeto foi formalmente retirado. A medida encerra as atividades do INNA no território.

Astrônomos alertaram repetidamente que a proximidade com alguns dos mais poderosos telescópios do planeta poderia comprometer a qualidade das observações. Entre os impactos citados estavam o aumento da poluição luminosa, vibrações e poeira que poderia se depositar nas superfícies ópticas.

O Instituto de Observação, representado pela ESO, ressaltou que a retirada do INNA reduz o risco direto ao Paranal Observatory. Ainda assim, enfatizou a necessidade de medidas rápidas para proteger áreas de observação no Chile. A organização não comentou detalhes adicionais.

A AES Andes afirmou, em nota, que decidiu cessar a execução do projeto, mantendo, contudo, que a iniciativa seria compatível com outras atividades na região. A empresa destacou que a decisão foi resultado de uma análise aprofundada de seu portfólio de projetos.

Impacto na observação e proteção do céu

O território abriga o Paranal Observatory, com o Very Large Telescope, que funciona a 2.600 metros acima do nível do mar. Próximo a Cerro Armazones fica o Extremely Large Telescope, ainda em construção. Esses instrumentos são referências no estudo de galáxias e exoplanetas.

Analistas apontam que a decisão reforça a necessidade de salvaguardas firmes para áreas de pesquisa astronômica no país. Especialistas destacaram que, ao evitar o INNA, mantém-se a integridade de seus bloqueios de luz e estabilidade ambiental.

O episódio envolve a ESO, a AES Andes e autoridades ambientais, com reações focadas na proteção de um dos maiores sítios de observação do mundo. O caso também relevancia o chamado por políticas de proteção de céu noturno na região.

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