- Descoberta nas cavernas de Carlsbad Caverns, no Novo México, revela micro-organismos que captam energia da luz próxima do infravermelho para fotossíntese.
- As cyanobacterias com clorofila d e f resistem em ambiente sem iluminação solar, aderidas às paredes escuras das cavernas.
- A luz infravermelha pode percorrer mais o ambiente, e a fotossíntese ocorre mesmo em áreas profundas e sem visão humana.
- Pesquisadores sugerem que esses microorganismos podem ter ficado intactos por até 49 milhões de anos, em um ambiente completamente protegido.
- A descoberta ajuda a ampliar cenários de vida em outros planetas, orientando buscas com telescópios como o James Webb e destacando estrelas do tipo M e K como potenciais casas de vida.
No Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, uma rede de cavernas amplia a busca por formas de vida fora da Terra. Pesquisas revelam que microrganismos podem extrair energia da luz mesmo em trevas profundas. A descoberta desafia ideias anteriores sobre iluminação necessária para a life.
A pesquisadora Heather Barton, professora de ciências geológicas na Universidade do Alabama, liderou a expedição. Em uma fenda escura, a equipe observou um manto de micro-organismos verde-esmeralda colados à parede, mesmo sem iluminação externa. Análises indicaram cyanobactérias, organismos unicelulares relacionados às bactérias.
Barton descreveu que a fluorescência verde apareceu em um alcove completamente sem luz, a uma profundidade onde a visão é nula. A presença de pigmentos verdes em meio à escuridão levou os cientistas a investigar formas de fotossíntese que não dependem da luz solar direta.
Os pesquisadores identificaram que as cyanobactérias utilizam clorofila d e f, capazes de captar luz infravermelha próxima, de comprimentos de onda mais longos que a luz visível. A luz infravermelha pode percorrer maiores distâncias no interior das cavernas de calcário, ao contrário da luz visível.
A equipe mediu níveis de luz infravermelha ao fundo da caverna e constatou concentração muito maior do que na entrada. A fotoautotrofia ainda ocorre de forma distribuída por todo o sistema de cavernas, inclusive em áreas mais escuras e profundas.
Os trabalhos em Carlsbad não se limitaram a uma única caverna. Em expedições subsequentes, a equipe encontrou micróbios fotossintetizantes em cavernas remotas do parque, sugerindo que a adaptação a condições de escuridão é comum na região.
A equipe estima que esses micro-organismos podem ter permanecido inalterados por cerca de 49 milhões de anos, o que indica longo isolamento ecológico. Esse dado reforça o interesse em entender como a vida pode persistir sob ambientes subterrâneos.
Implicações para a astrobiologia
Estudos indicam que a busca por vida em exoplanetas deve considerar espectros de iluminação diferentes dos usados tradicionalmente. Em particular, a fotossíntese sob luz infravermelha próxima pode ocorrer sob estrelas menos brilhantes, como as do tipo M e K.
Especialistas ressaltam que o potencial de vida pode existir em mundos onde a radiação é desigual ou mais amena. A pesquisa também destaca a importância de ajustar modelos de habitabilidade para levar em conta diferentes vias de fotossíntese.
A equipe já apresentou propostas para a Nasa a fim de mapear os limites de sobrevivência de vida fotossintética em cenários de luz fraca. O objetivo é orientar futuras observações com telescópios espaciais, como o James Webb, na busca por sinais de oxigênio na atmosfera de planetas fora do sistema solar.
A análise sugere que a presença de oxigênio em atmossferas exoplanetárias continua sendo um indicador forte de atividade biológica, desde que considerado o contexto espectral da estrela anfitriã. A pesquisa em cavernas serve como referência prática para entender como a fotossíntese pode operar sob diferentes condições lumínicas.
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