- A exposição Upright de Angela de la Cruz fica na Ikon Gallery, em Birmingham, até 6 de setembro.
- É a primeira mostra dela em uma instituição britânica desde 2010, quando participou de uma retrospectiva no Camden Arts Centre que rendeu indicação ao Turner Prize.
- A mostra combina pintura e escultura com obras que lembram formas humanas e exploram peso, textura e volume, como Still Life with Table (2000) e Limp (2000).
- Transfer (2011) usa uma caixa de alumínio suspensa entre duas cadeiras, enquanto Upright 111 apresenta uma cadeira de três pernas apoiada por um banquinho manchado de tinta.
- Uma comission (Blister, 2026) foi desenvolvida com o Birmingham Royal Ballet, inspirada na ideia de quebrar e consertar o corpo do tutu, remetendo à ideia de resistência e elasticidade no corpo em cena.
Angela de la Cruz apresenta Upright, a primeira mostra de uma instituição britânica desde 2010, em Ikon Gallery, Birmingham, em cartaz até 6 de setembro. A exposição reúne obras que misturam pintura e escultura, com forte carga performativa e emocional.
Ainda que familiarizada com o Minimalismo, a artista espanholien se coloca como responsável por objetos figurativos que dialogam com o corpo humano. Desde os anos 1990, ela defende que suas pinturas são objetos figurativos que ativam experiência humana.
A mostra abre com Still Life with Table (2000), um quadro negro oleoso que se descolou da parede e ocupa o espaço da galeria. A peça sugere uma boca gigante que engole a mesa, criando uma leitura de exposição audaciosa.
Obra, forma e temáticas
Outras obras evidenciam traços quase humanos, como Limp (2000), que mistura superfícies rasgadas com tintas que lembram fezes em tom marrom, sustentando a composição. Bloated 111 (Blue) (2012) aparece como um retângulo de alumínio, em azul escuro, com relevo que sugere pele.
Transfer (2011) utiliza uma caixa de alumínio branco suspensa entre duas cadeiras brancas, explorando a relação entre objetos e espaço. Upright 111 apresenta uma cadeira de três pernas apoiada por um taburete gasto e blocos de madeira, elevando o objeto até o limite da forma.
A curadoria privilegia o entrelaçamento de títulos com a compreensão das obras, já que nomes funcionam como chave para a leitura figurativa. A artista também mantém que o título completa a obra, não apenas descreve.
Novo comissionamento e trajetória
A mostra inclui Blister (2026), uma peça encomendada em parceria com o Birmingham Royal Ballet. Inspirada no Nutcracker, a obra usa alumínio batido em vermelho vívido e tecido de cor pêssego que escorre pelas bordas, sugerindo a ruptura e a recuperação de figuras de balé.
De la Cruz, nascida na Espanha e radicada no Reino Unido desde o fim dos anos 1980, sofreu AVC em 2005. A autora já afirmou que, desde então, trabalha com assistentes e replicou o processo de cinema, afirmando que a produção atual é mais violenta, porém contida. A diversidade de influências abrange história da arte, eventos mundiais, literatura e experiência pessoal.
A exposição Upright permanece em cartaz até setembro, no Ikon Gallery, em Birmingham, com diálogo entre desenho, escultura e performance que marca a produção da artista ao longo de três décadas.
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