- Cooper Jacoby apresenta cinco obras no Whitney Biennial, em um espaço com carpete verde, criando o efeito de uma “armadilha de rato” para o público.
- A série Estate usa modelos de inteligência artificial treinados com conteúdo de redes sociais de um criador anônimo falecido na data indicada, com vocabulário gerado a partir de posts da vítima replicando vozes de familiares ou amigos.
- Um intercomunicador emite mensagens e a câmera do conjunto monitora o espaço, acionando conteúdo do arquivo digital da pessoa conforme a presença de visitantes, enquanto um pequeno display registra tempo desde a morte.
- A outra linha da série, Mutual Life, traz esculturas que lembram olhos com relógios; o giro dos relógios varia conforme a idade biológica estimada da pessoa.
- Jacoby explica que escolhe indivíduos com grandes volumes de dados para mostrar como as plataformas de IA usam informações como “fertilizante”, destacando também a falta de regulação sobre viver e morrer online.
Cooper Jacoby está entre os destaques da Whitney Biennial, em Nova York, com uma série de esculturas que exploram como grandes empresas de IA e outras corporações transformam dados em ativos financeiros. A mostra acontece durante a temporada de bienais, com foco em textos e obras que dialogam com o uso de dados pessoais para treinar modelos. Jacoby apresenta cinco trabalhos em um ambiente com carpete verde, em uma configuração que ele descreve como uma armadilha.
Na obra Estate (July 10, 2022), uma tela dobrável abriga um intercom que emite uma voz gerada por modelos de IA alimentados por textos de uma pessoa falecida na data indicada. Outras peças da série apresentam variações desse conceito, com modelos que vocalizam conteúdos de posts de redes sociais da pessoa, reproduzindo vozes de familiares ou amigos do autor. Um monitor exibe a contagem de anos, dias e horas desde a data de morte.
Cada peça da série Estate usa dados de criadores anônimos com grandes acúmulos de conteúdo nas redes. O uso visa mostrar como plataformas de IA tratam a vida digital como matéria-prima para aperfeiçoar modelos, tornando o funcionamento interno cada vez mais opaco. A obra busca oferecer uma leitura sobre a disponibilidade de dados e seus impactos.
Outra linha da instalação traz três esculturas que lembram olhos com pálpebras de aço inox e retinas coradas por cera. Cada peça acompanha um conjunto de dentes que funciona como ponteiros de relógio. Também nessa linha, cada entrada está associada a uma pessoa distinta da rede social do artista, mas o relógio curva o tempo conforme a idade biológica estimada da pessoa.
O artista descreve o interesse em como o envelhecimento biológico pode ser estimado a partir de dados, tema que originou a peça por meio de uma experiência com um seguro de saúde. A obra analisa impactos de dados biométricos na definição de custos e riscos, além de refletir sobre práticas de classificação de indivíduos com base em dados digitais.
Jacoby afirma que a exposição pretende destacar a ausência de regulamentação e normas sobre a vida online e a morte online, bem como as implicações de direitos e rituais ainda pouco desenvolvidos. A curadoria e a montagem da Whitney Biennial ajudam a situar a discussão dentro de um cenário tecnológico em rápida expansão.
A instalação, intitulada como uma visão de conjunto, funciona como uma crítica às grandes empresas de tecnologia que coletam dados para alimentar serviços e modelos de IA. O conjunto de obras busca tornar mais compreensível o funcionamento dessas plataformas, por meio de uma abordagem estética que combina som, vídeo e arte generativa com objetos físicos.
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