- O artista argentino Julio Le Parc, pioneiro da arte cinética, morreu aos 97 anos em Paris no dia 30 de maio.
- Morava em Paris desde o final dos anos cinquenta e havia esperado viajar a Londres para a abertura da retrospectiva no Tate Modern, intitulada Light. Colour. Action. (11 de junho a 3 de maio de 2027).
- A exposição reúne mais de sessenta obras e percorre sete décadas da carreira, explorando a relação entre arte, espaço e público.
- Le Parc ajudou a redefinir o papel do espectador, cofundou o Groupe de Recherche d’Art Visuel (Grav) e foi um dos primeiros artistas latino-americanos a ter exposição individual no Metropolitan Museum of Art.
- Em 1966 ganhou o Grande Prêmio Internacional de Pintura na Bienal de Veneza, consolidando-se como uma referência da arte cinética. A mostra do Tate Modern foi organizada com a participação do próprio artista e seu estúdio.
Julio Le Parc, artista argentino radicado em Paris e pioneiro da arte cinética, morreu aos 97 anos, em 30 de maio, na capital francesa. A saúde debilitada não impediu que ele desejasse viajar para a abertura da retrospectiva que seria apresentada no Tate Modern, na próxima semana.
O museu londrino preparava a mostra Light. Colour. Action, que reúne mais de 60 obras e percorre sete décadas de carreira. A curadoria fica a cargo de Val Ravaglia e Francis Hardy, com a parceria do próprio estúdio do artista.
Le Parc ajudou a redefinir o papel do espectador ao transformar luz, cor e movimento em componentes ativos da obra. Foi cofundador do Grav (Groupe de Recherche d’Art Visuel) e um dos primeiros latino-americanos com mostra individual no Metropolitan Museum of Art, em Nova York.
Nascido em Mendoza, em 1928, o artista cresceu em família de classe trabalhadora. Descobriu o talento para o desenho na escola e, nas décadas seguintes, aproximou-se de movimentos de vanguarda em Buenos Aires, como a Arte Concreta e o Spatialismo de Lucio Fontana. Em 1958 ganhou bolsa para estudar em Paris, abrindo caminho para sua pesquisa sobre movimento, luz, percepção e participação pública.
Ao longo de sua carreira, Le Parc não se limitou a uma única técnica. Em 1966, recebeu o Grand Prize for Painting na Bienal de Veneza, consolidando-se como referência entre artistas latino-americanos. Em sua trajetória, também realizou exposições significativas no exterior, incluindo uma retrospectiva no Pérez Art Museum Miami em 2016.
Entre as mostras marcantes no Brasil e na Argentina, destaca-se a retrospectiva Julio Le Parc: Un visionario, no Centro Cultural Kirchner, em Buenos Aires, em 2019. A exposição reuniu mais de 160 obras e contou com cerca de 500 mil visitantes, segundo o museu.
A homenagem internacional também inclui reconhecimentos como a Ordem Nacional da Legião de Honra, conferida em 2014 pela França. Em 2024, Tate Modern adquiriu a obra Blue Sphere (2013), que será integrada ao acervo da mostra que havia de abrir em Londres.
A retrospectiva Light. Colour. Action no Tate Modern será inaugurada sem a presença do artista. A mostra permanece como um marco de sua obra ao enfatizar a participação do público como parte essencial da experiência estética que ele defendia, mantendo viva uma de suas principais bandeiras: a arte completa somente quando o público se envolve.
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