- A economia argentina registrou alta histórica de atividade, subindo 1,9% no último ano, mas a renda per capita ainda está 6,8% abaixo do pico de 2011 e não se traduz em bem‑estar para todos.
- O crescimento atual é puxado por setores com baixo emprego, como hidrocarbonetos, mineração e intermediación financeira, enquanto construção, indústria e comércio sofrem queda.
- A taxa de desemprego oficial foi de 7,5% no último quadrimestre de 2025, com perda de qualidade do emprego formal e aumento de ocupações informais.
- A inflação não cede e continua acima de três por cento ao mês; tarifas e serviços pesam mais no orçamento das famílias, mesmo com melhora média de renda.
- Escândalos de corrupção e casos envolvendo o governo, como Libra e o governo de Manuel Adorni, contribuíram para a percepção de deterioração das expectativas sobre o presidente Milei.
O presidente argentino Javier Milei enfrenta um desgaste cada vez maior de sua imagem diante de dados econômicos mistos. Enquanto a atividade econômica apresenta alta, indicadores sociais apontam dificuldades persistentes, como inflação e desemprego em ascensão.
Dados oficiais indicam crescimento econômico de 1,9% no último ano, segundo o Indec. Contudo, estudos independentes sugerem que, ajustando pela população, o bem-estar está 6,8% abaixo do pico de 2011. A disparidade aponta para uma recuperação desigual.
A composição do crescimento é-chave: setores de menor emprego, como hidrocarbonetos, mineração e intermediação financeira, impulsionam o avanço, enquanto construção, indústria e comércio enfrentam queda. O efeito é visto em renda e consumo.
Apesar de melhorias em média, salários de trabalhadores públicos e aposentados seguem abaixo de décadas anteriores. Tarifas e serviços encarecem a vida familiar, enquanto subsídios são alvo de críticas do governo, que reduziu transferências a alguns segmentos.
O consumo não acompanha o mesmo ritmo: indica-se, pela MAP Latam, impulso em classes mais abastadas, com turismo e bens duráveis, mas recuos em itens básicos, como leite, registrado pelo OCLA. A renda disponível não se traduz em consumo estável.
A taxa de desemprego registrada pelo Indec chegou a 7,5% no último quadrimestre de 2025, com alta de aproximadamente 1 ponto percentual em relação a um ano antes. Trabalhadores formais encolhem, enquanto empregos informais ganham espaço, como entregadores e vendedores informais.
Queda de formalidade empresarial também é notável: dados da Superintendência de Riesgos do Trabalho apontam o fechamento de 22.608 empresas desde o início do governo Milei, sinalizando deterioração do mercado de trabalho formal.
No campo político, o desgaste se agrava com escândalos de corrupção que ganham as manchetes. Entre eles, alegações envolvendo Milei em casos ligados a criptomoeda Libra e investigações sobre o patrimônio do chefe de gabinete, Manuel Adorni.
Pesquisas privadas signalizam queda depopularidade: Atlas Intel aponta 62% de avaliação negativa, com pautas centrais como corrupção, desemprego e inflação. Outros levantamentos indicam queda ou estabilidade mensal, mas com tendência de deterioração.
Especialistas destacam que, embora haja parcela de eleitores que apoia Milei, o cenário econômico desfavorável para parte da população contamina a percepção pública. A expectativa de alívio imediato não se confirma, ampliando o foco em questões de gestão.
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