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A revolução tecnológica que não aconteceu

Da ambição de tornar a Índia fabricante de tecnologia à exportação de talentos, o TIFRAC revela um caminho técnico frustrado pela política e pelo mercado global

Dwai Banerjee is the author of the new book, “Computing in the Age of Decolonization: India’s Lost Technological Revolution,” published by Princeton University Press.
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  • Em 1960, o Tata Institute of Fundamental Research criou o TIFRAC, o primeiro computador funcional da Índia, com memória de núcleo de ferrite similar aos equipamentos da IBM.
  • O projeto não foi replicado nem produzido em larga escala; a visão era tornar a Índia independente em computação, mas acabou virando um beco sem saída, com o país exportando talento em vez de máquinas.
  • O livro de Dwai Banerjee, Computação na era da descolonização, analisa a geopolítica do conhecimento e as restrições da Guerra fria que limitaram o acesso à tecnologia e ao know-how da IBM.
  • Em 1978 a Índia baniu a IBM, mas o setor de serviços de software ganhou força, deslocando o foco da manufatura interna para atividades privadas e exportação de serviços.
  • A obra sustenta que o desenvolvimento tecnológico foi moldado por forças globais de capital e política, e não apenas por inventores isolados, influenciando como o poder tecnológico hoje está distribuído.

Em 1960, engenheiros do Tata Institute of Fundamental Research (TIFR) construíram o primeiro computador funcional da Índia, o TIFRAC, com memória de ferrite-core semelhante aos modelos da IBM. A máquina, integrada a recursos limitados, representou uma façanha tecnológica nacional.

O TIFRAC foi concebido para colocar a Índia no mapa como exportadora de tecnologia. Porém, não houve replicação nem produção em escala, e o projeto acabou virando um beco sem saída tecnológico. A indústria indiana seguiria outro caminho.

O livro de Dwai Banerjee, Computation in the Age of Decolonization, analisa esse episódio e o papel da geopolítica no conhecimento. Segundo o autor, o país tornou-se, ao fim, líder em serviços de terceirização, mas com benefícios limitados em pesquisa e fabricação.

Banerjee descreve o contexto pós‑independência de 1947, quando líderes buscavam industrialização rápida para superar o subdesenvolvimento. O apoio inicial às cooperações internacionais encontrou barreiras ligadas ao clima da Guerra Fria.

A equipe do TIFR enfrentou restrições externas, como o controle de transferência de tecnologia dos EUA, que dificultava o acesso a planos e componentes. Mesmo assim, o grupo conseguiu manter o ritmo de pesquisa até o lançamento do TIFRAC.

Em 1957, a IBM lançou o FORTRAN, o que exigia memória maior do que a disponível no TIFRAC. A crise de câmbio de 1958, mediada pelo World Bank, condicionou empréstimos à abertura dos mercados indianas, tornando inviável ampliar o equipamento.

Em 1978, a Índia proibiu a IBM no país, um marco que não por si só impulsionou a indústria de manufatura, mas coincidiu com o fortalecimento do setor de serviços privados. A tendência levou à internacionalização de engenheiros e à terceirização.

O resultado foi a ascensão de um setor global de serviços de tecnologia, com uma parcela significativa de profissionais indianas no exterior. O país não atingiu a soberania tecnológica originalmente defendida pelos visionários do TIFR.

Banerjee ressalta que a história da computação não se reduz a invenções de gênios isolados. Grandes forças de capital, geopolítica e instituições moldaram trajetórias nacionais, inclusive a da Índia, na era pós‑colonial.

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