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GTF capta R$ 375 milhões em CRA para ampliar escala industrial e novos produtos

GTF capta R$ 375 milhões em CRA para ampliar escala industrial e desenvolver IQF, em contexto de crédito mais restrito e juros elevados

GTF está entre as maiores em processamento de aves
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  • GTF concluiu a segunda emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) no valor de R$ 375 milhões, com demanda próxima de R$ 400 milhões, levando à limitação do tamanho da operação.
  • A operação reforça o papel do mercado de capitais no financiamento da empresa, em um contexto de crédito mais restrito e juros elevados.
  • Os recursos serão usados para alongar o passivo, fortalecer a estrutura de capital e sustentar um ciclo intensivo de CAPEX, com foco em expansão e automação industrial.
  • Parte significativa dos recursos será destinada ao desenvolvimento de produtos IQF (Individually Quick Frozen) para o mercado interno, buscando maior diferenciação de portfólio e fortalecimento da marca.
  • Em 2024, a GTF registrou faturamento de R$ 4 bilhões e mira R$ 5 bilhões até 2026; a empresa exporta para mais de 100 países e possui certificações internacionais.

A GTF concluiu a segunda emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), no valor de R$ 375 milhões, em um ambiente de crédito mais restritivo e juros elevados. A operação foi mais de 350% superior à emissão anterior e consolida o uso do mercado de capitais como eixo de financiamento da empresa, hoje com foco em ampliar a escala industrial e lançar novos produtos.

A demanda pela emissão chegou a quase R$ 400 milhões, acima do volume ofertado, levando a empresa a reduzir o tamanho do CRA. A direção informou que a construção de credibilidade no mercado, aliada aos resultados consistentes e ao cumprimento de obrigações em operações anteriores, contribuiu para a percepção de risco mais favorável.

Fundada em 1992, a GTF atua na comercialização de frango, peixes e vegetais congelados, além de produtos à base de fécula de mandioca. A empresa emprega mais de 10 mil pessoas, possui 258 caminhões na frota e oito filiais de armazenagem e distribuição no país. A companhia integra o ranking Forbes Agro 100, que classifica as maiores empresas do setor.

Bancabilidade e mercado de capitais

O aumento no volume captado indica uma leitura de risco mais favorável por parte de investidores institucionais e de pessoas físicas. A primeira emissão teve caráter exploratório, enquanto a segunda se apoia em resultados recentes, disciplina financeira e visibilidade do plano de investimentos. A estratégia da empresa é ampliar gradualmente o porte das operações e atrair maior participação de investidores estratégicos.

A captação busca alongar o passivo, fortalecer a estrutura de capital e criar espaço para um ciclo de investimentos intensivo em CAPEX, em um cenário de crédito bancário mais caro e seletivo. As próximas emissões devem seguir essa caminhada, com condições financeiras mais eficientes.

Crescimento, produtos e margens

Parte dos recursos será destinada ao desenvolvimento de IQF (Individually Quick Frozen), com impacto no mix e na estratégia comercial. Internamente, os IQF ajudam a diferenciar o portfólio e fortalecer a presença da marca junto ao consumidor. Os investimentos incluem abertura de novos clientes e lançamento contínuo de produtos, não apenas IQF.

No exterior, o crescimento está ligado à automação das plantas, que aumenta a eficiência, reduz a dependência de mão de obra e viabiliza um portfólio exportável mais sofisticado. A automatização fortalece a posição competitiva da GTF em mercados internacionais e pode ampliar margens.

Em 2024, a empresa registrou faturamento de R$ 4 bilhões, com a meta de chegar a R$ 5 bilhões até 2026. As marcas Canção (proteínas congeladas de frango e peixe) respondem por cerca de 90% da receita; a Lorenz, especializada em fécula de mandioca, representa os 10% restantes.

Escala, execução e sustentabilidade

A GTF planeja superar 800 mil aves abatidas por dia nos próximos cinco anos, por meio de expansão de plantas e investimentos na cadeia verticalizada. Os aportes incluem incubatórios, fábricas de ração e infraestrutura logística para manter previsibilidade operacional.

Um dos principais gargalos reside no acesso ao crédito para produtores integrados, devido ao ambiente financeiro mais restritivo. Internamente, o desafio é administrar o elevado volume de CAPEX necessário para sustentar a verticalização e o crescimento, incluindo automação, produtividade e sustentabilidade como componentes centrais.

A companhia já está habilitada para exportar para mais de 100 países e possui certificações como China Approved, EU Approved, Halal, além de selos como IFS Global Markets e BRCGS. As unidades industriais operam sob habilitações SIF 3789, 3773, 1880, 1860 e 4166.

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