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Controles mais rígidos afetam exportação de soja brasileira para China

Controles fitossanitários mais rígidos elevam prazos e custos de exportação de soja brasileira para a China, ameaçando suprimentos no pico da safra

Terminal da Cargill em Santarém
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  • O Brasil aumentou as inspeções de soja para a China após detecção de grãos com pesticidas, fungicidas e danos por calor, exigindo checagens com fornecedores antes da partida.
  • Se as inspeções ficarem mais rigorosas e os prazos de liberação crescerem, o ritmo de chegada pode diminuir em março e abril.
  • A Cargill no Brasil informou ter interrompido exportações de soja para a China.
  • Os custos operacionais subiram devido a tempo de certificação nos portos brasileiros e ao aumento das taxas de frete, com o frete para portos chineses subindo cerca de vinte e quatro por cento em março.
  • A oferta de soja brasileira para a China diminuiu, e a cotação para embarque em abril ficou em torno de US$ 1,22 por bushel sobre o contrato de maio da CBOT, frente a US$ 1,12 em 27 de fevereiro; as importações chinesas caíram 7,8% nos dois primeiros meses.

A escalada de controles fitossanitários no Brasil está impactando as exportações de soja para a China. Autoridades brasileiras aumentaram as inspeções após verificarem grãos com pesticidas, fungicidas e outros problemas durante o embarque. A medida vem a pedido de Pequim.

Fontes do setor dizem que as alfândegas chinesas têm observado mais falhas em lotes brasileiros, como grãos com insetos vivos e danos por calor. Também foram apontados grãos tratados com agentes de proteção de sementes, o que eleva a cautela para a liberação nas fases de exportação.

Com isso, importadores chineses precisam confirmar repetidamente com fornecedores brasileiros a inexistência de problemas antes da partida. Caso contrário, as remessas podem ser bloqueadas ao chegar na China.

Analistas apontam que a janela de oportunidades para fornecedores norte-americanos pode se abrir se o fluxo brasileiro for prejudicado. A China retomou compras dos EUA no fim de outubro após acordo comercial, contrastando com o momento atual do Brasil.

O presidente da divisão brasileira da Cargill informou à Reuters ter interrompido exportações de soja para a China. Autoridades chinesas e a embaixada do Brasil em Pequim não comentaram o assunto até o momento.

Além das inspeções, o tempo de certificação nos portos brasileiros aumentou custos de demurrage. A alta nos fretes também eleva o custo de envio, pressionando as ofertas de venda da soja brasileira para a China.

Segundo a Mysteel, o frete de navios Panamax do Porto de Santos para os portos chineses do norte subiu cerca de 24% em março. Esse cenário reduz a competitividade de exportadores brasileiros.

As negociações de abril, que incluem custo e frete, ficaram em torno de US$ 1,22 por bushel sobre o contrato de maio da CBOT, frente a US$ 1,12 no fim de fevereiro. As importações da China tiveram recuo de 7,8% nos dois primeiros meses do ano.

Especialistas destacam que o choque é sazonal, mas pode se prolongar caso haja mais rigor nas inspeções. Economistas avaliam que a demanda externa chinesa pode se ajustar sem provocar mudança estrutural no fluxo de soja brasileira.

Por fim, o mercado acompanha as repercussões: menor velocidade de chegada de grãos ao portos chineses e impactos nos prazos de entrega, com efeitos diretos sobre preços e disponibilidade na segunda maior economia mundial.

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