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Adultos subestimam risco de abuso de mulheres por ex-parceiros, Reino Unido

Apesar de 42% das ligações à Refuge identificarem o ex-parceiro como agressor, apenas 12% dos adultos reconhecem esse risco, mostram dados da pesquisa

A Refuge spokesperson said ex-partners often used children and the family court to control women.
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  • Acredita-se que o risco de abuso por ex-parceiro seja subestimado pelo público do Reino Unido, segundo a campanha da instituição Refuge.
  • Dados da linha de apoio da Refuge mostram que 42% das pessoas que ligam identificam o ex-parceiro como abusador, evidenciando a frequência do dano pós-relacionamento.
  • Uma pesquisa YouGov encomendada pela Refuge aponta que, entre adultos, 71% reconhecem que a vítima é mais provavelmente alguém conhecida, mas apenas 12% citam o ex-parceiro como provável abusador; 78% apontam o atual parceiro.
  • Casos de pós-separação costumam envolver perseguição, assédio, geolocalização por meio de metadados e uso de crianças para manter o controle sobre a vítima.
  • A polícia e o Judiciário precisam de mais treinamento e conscientização sobre abuso de ex-parceiros; a legislação criminaliza o abuso coercitivo e controlador desde 2015, com o abuso pós-separação incluído pela Domestic Abuse Act, em vigor desde abril de 2023.

Apenas uma parte da população do Reino Unido reconhece o risco de abuso por ex-parceiro após o fim do relacionamento. Dados da ONG Refuge mostram que 42% das ligações para a linha de apoio identificam o ex como agressor, indicando a frequência desse tipo de dano.

Uma pesquisa com a população em geral revela descompasso entre percepção e realidade. Enquanto 71% dos adultos reconhecem que a vítima é mais provável de ser abusada por alguém conhecido, apenas 12% apontam o ex-parceiro como provável agressor, e 78% citam o parceiro atual.

O levantamento reforça que o abuso pós-separação é comum e subestimado. O estudo de Refuge evidencia que muitos casos envolvem perseguição, assédio e controle, mesmo após o término.

Abuso pós-separação: como se manifesta

Relatos de vítimas indicam perseguição e assédio contínuos, com tentativas de contato mesmo após a separação e localização da vítima por meio de dados de fotos. Casos de geolocalização de endereço e imposição de visitas a eventos familiares são citados pelas entrevistadas.

Profissionais da Refuge ressaltam que o controle pode ocorrer com crianças envolvidas. Abusadores costumam exigir a guarda ou visitas, ou usam causas familiares para manter a influência sobre a vítima, dificultando a vida social.

O estudo aponta que a violência pode se intensificar na fase de separação. Em alguns casos, autoridades chegam a minimizar a ameaça ao reduzir o risco a interesses maternais ou ao rotular a vítima como sobrevivente de violência anterior, o que dificulta a resposta policial.

Recomendação institucional e jurídica

A ofensiva coercitiva pós-separação passou a ser crime no Reino Unido com o Domestic Abuse Act 2021, em vigor desde abril de 2023. Mesmo assim, a Refuge defende mais treinamento obrigatório para policiais e judiciários para reconhecer sinais de controle persistente.

Especialistas destacam que a legislação exige tempo para se consolidar na prática. A organização aponta que a separação é um período de alto risco de escalada e reforça a necessidade de entender o dano contínuo causado pelo ex-parceiro.

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