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Sobreviventes de violência doméstica têm trauma cerebral semelhante a esportistas

Estudo da Monash associa violência doméstica com golpes repetidos e estrangulamento não fatal a déficits de memória e aprendizagem; 84,2% tiveram ambos os fatores

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
The study found that 84.2% of participants who had experienced brain injury in the context of intimate partner violence had suffered both non-fatal strangulation and a mild traumatic brain injury or concussion.
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  • Estudo australiano da Monash, primeira no país, associa violência doméstica a lesões cerebrais persistentes cuando há repetidos impactos na cabeça ou estrangulamento não fatal.
  • Pesquisas indicam déficits de memória, aprendizagem e alterações cognitivas entre sobreviventes.
  • Perguntou-se que 84,2% das participantes com lesão cerebral relataram combinação de estrangulamento não fatal e lesão cerebral leve ou concussão.
  • Pacientes com seis ou mais lesões apresentaram pior desempenho em memória e aprendizado.
  • Em 2024 foram reportados casos de encefalopatia traumática crônica (CTE) ligados à violência doméstica na Austrália.

Um estudo australiano inédito da Monash University afirma que vítimas de violência doméstica que sofrem repetidos impactos na cabeça ou estrangulamento não fatal apresentam déficits significativos de memória e aprendizagem. Os resultados se destacam como evidência de lesões cerebrais prolongadas nesse grupo.

A pesquisa comparou mulheres expostas a relacionamentos abusivos com aquelas sem histórico de violência. Entre as participantes, 84,2% relataram combinação de estrangulamento não fatal e lesão cerebral leve ou concussão. O estudo aponta correlações entre gravidade dos traumas e pior desempenho cognitivo.

Conduzido por Georgia Symons, neurocientista da Monash, o estudo observou déficits de memória, dificuldades de aprendizado, alterações comportamentais e, em alguns casos, crises convulsivas. Mesmo sem limiar clínico, as dificuldades permaneceram relevantes.

Os dados se alinham a evidências que já circulam no esporte profissional, onde concussões repetidas estão associadas à encefalopatia traumática crônica e a outras neurodegenerações. Pesquisadores defendem maior atenção clínica a lesões cerebrais em vítimas de violência.

Especialistas destacam a necessidade de triagem mais abrangente de traumatismo cranioencefálico em mulheres que vivenciaram violência doméstica. O objetivo é identificar sinais precocemente e oferecer tratamento adequado, sem desconhecer o contexto de abusos.

Reidar Lystad, do Australian Institute of Health Innovation, ressalta que, além da encefalopatia, há risco aumentado de demências. Ele aponta que o limiar de dano pode ser menor do que se imaginava, complicando a avaliação clínica.

Phillip Ripper, da organização No To Violence, alerta que vítimas costumam ficar menos identificadas e apoiadas do que atletas. Ele enfatiza que o estrangulamento não fatal é um sinal de alerta crítico e requer resposta rápida.

Pacientes com múltiplas lesões devem ter encaminhamento a especialistas em lesões cerebrais. A abordagem multidisciplinar pode favorecer diagnóstico, reabilitação e acesso a serviços de apoio, conforme ressalta o estudo.

Caso de interesse público, o tema exige ações institucionais para prevenção e proteção. As autoridades são instadas a agir para interromper padrões de violência que elevam o risco de danos cerebrais graves e permanentes.

Em caso de violência, serviços de apoio e orientação estão disponíveis. Na Austrália, o serviço de aconselhamento de violência familiar funciona pelo 1800 737 732. Outros países também oferecem linhas de apoio.

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