- No fim dos anos oitenta, o engenheiro José Bento dos Santos deixou a mineração e comprou a Quinta do Monte d’Oiro, em Alenquer, Portugal, em mil novecent eighty sete.
- A primeira safra chegou ao mercado em mil novecentos noventa e sete, com foco em castas francesas como Syrah e Viognier, aliadas a uvas nativas, cultivo orgânico e baixos rendimentos, com vinhos de entrada em torno de R$ 150,00.
- O projeto Petra, na Toscana, resgata o legado de Elisa Bonaparte, plantando castas internacionais em um terroir etrusco e grego, em vinícola desenhada por Mario Botta e sob manejo orgânico.
- A família Moretti recupera o que foi plantado por Elisa Bonaparte, com o “jardim da Princesa” finalizado em mil dois mil e dezessete e o vinhedo histórico Vigna Petra, de quatro hectares.
- No Chile, em mil novecentos noventa e sete, surgiu o Almaviva, parceria entre a família Rothschild e a Concha y Toro, produzindo um tinto com Cabernet Sauvignon dominante; visitas ao vinhedo passaram a ocorrer nos últimos dois anos.
A história da terra que não se fabrica é a bússola de vinhos que cruzam fronteiras. Em Alenquer, Portugal, a Quinta do Monte d’Oiro tornou-se símbolo de uma transição entre mineração de metais e produção de vinho a partir de solos italianos e franceses.
No fim dos anos 1980, o engenheiro José Bento dos Santos deixou a mineração para trás após um jantar em Nova York. A frase de um amigo o fez olhar para a terra como commodity intransferível. Em 1987 comprou a Quinta, iniciando a jornada enológica.
A primeira safra chegou apenas em 1997, após um longo processo de recuperação do vinhedo. Filho de José, Francisco Bento dos Santos coopera com o pai, mantendo um estilo de gestão próximo e técnico, com cultivo orgânico e baixos rendimentos.
O estudo técnico da Universidade de Jerusalém apontou solo mediterrânico com influência atlântica, ideal para castas do Vale do Rhône. Mudanças com mudas francesas, irrigação controlada e foco na qualidade resultaram em um portfólio que une Syrah e Viognier a castas nativas.
Projetos que cruzam continentes
Na Itália, em Suvereto, o projeto Petra resgata a herança de Elisa Bonaparte e planta Cabernet Sauvignon e Merlot ao lado da Sangiovese. Francesca Moretti lidera a recuperação, conduzindo vinhedos com desenho de Mario Botta e práticas orgânicas.
A história de Petra envolve uma continuidade feminina: a família Moretti mantém quatro hectares de Vigna Petra, preservando o espírito de uma plantação histórica. O objetivo é expressar o terroir mediterrâneo com uma linha de boa relação custo-benefício.
Paralelamente, no Chile, nasceu Almaviva em 1997, fruto de uma parceria entre a família Rothschild e a Concha y Toro. O foco é um tinto de Cabernet Sauvignon, cultivado no Maipo Alto, com perfil francês clássico adaptado ao terroir local.
A aproximação entre o nativo e o estrangeiro é marcada pela abertura a visitantes. A vinícola Chilena já recebe visitas há dois anos, revelando a fronteira tênue entre terroirs e culturas vitícolas distintas.
Essa trajetória mostra que a terra é o único ativo que não se fabrica. A experiência reúne famílias, técnicas e solos diversos, transformando vinhos em identidade compartilhada.
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