- Morreu na madrugada de sexta-feira, 20, em Bordeaux, o enólogo Michel Rolland, aos 78 anos, vítima de infarto.
- Ele é considerado o primeiro enólogo verdadeiramente global, percorreu dezenas de vinícolas em cinco continentes, oferecendo consultoria que, segundo o The New York Times, começava em 30 mil dólares por ano.
- Ficou conhecido por indicar técnicas como amadurecimento maior das uvas, redução de produção e uso de carvalho novo para vinhos mais macios e de aceitação mais rápida no mercado; papel destacado no documentário Mondovino.
- Havia visões opostas sobre seu impacto: para alguns, padronizou o gosto; para outros, elevou a qualidade de vinhos na Argentina, Chile, Índia e outras regiões, conforme a crítica Jancis Robinson.
- O cenário mudou a partir de 2010, com preferência por vinhos naturais, terroir e menos dependência de consultorias; Rolland manteve atuação global, mas sua influência passou a declinar.
Michel Rolland, o enólogo que ficou conhecido por tornar o vinho global, morreu aos 78 anos na madrugada desta sexta-feira, em Bordeaux. A morte ocorreu após um infarto. Era perto do almoço quando ele chegava a uma propriedade em Pomerol, no sudoeste da França, acompanhado do jornalista John Carlin, da Observer.
Rolland era referência por percorrer vinhedos em cinco continentes, testando dezenas de vinhos por dia e oferecendo consultoria a centenas de vinícolas. Em 2004, ao visitar Pomerol, ele avaliou a safra com frieza técnica, cuspindo bebidas para indicar sua avaliação aos produtores. A cena ficou marcada na cobertura do documentário Mondovino, lançado naquele ano.
A imagem pública do enólogo dividia opiniões. Alguns o viam como impulsionador da qualidade global, capaz de elevar vinhos de países emergentes, como Argentina, Chile e Índia. Outros o criticavam por padronizar estilos e acelerar o mercado, associando-o a práticas que favoreciam modos de produzir vinhos mais alcoólicos e carvalho dominante.
Legado
O documentário Mondovino destacou a influência de Rolland na virada do século, quando o interesse por vinhos prontos para consumo imediato cresceu entre novas classes de consumidores. A crítica mencionada por Jancis Robinson lembrava a disciplina do trabalho dele, com jornadas longas que começavam cedo e terminavam apenas no fim do dia, com avaliações constantes e decisões rápidas sobre o estilo desejado.
Na visão de Robinson, Rolland adaptava-se às demandas de seus clientes, buscando vinhos tecnicamente superiores e de aceitação mais ampla. Sua atuação ganhou notoriedade ao colaborar com produtores em diversos países, ajudando a moldar um padrão de maturação das uvas, uso de barris de carvalho e maturação que privilegiavam textura aveludada.
O impacto da atuação de Rolland perdura como tema de debate. Para alguns, ele representou inovação e qualidade, expandindo o repertório vinícola global. Para outros, o preço dessa prática seria a homogeneização de estilos. Mesmo com a ascensão de movimentos por vinhos mais naturais e terroirs mais evidentes, o papel dele na história da enologia permanece relevante para entender a vinicultura contemporânea.
Entre na conversa da comunidade