- Andrew Jefford discute a relação entre vinho e carvalho, mostrando a evolução do uso de madeira desde o início do século.
- O vinho novo pode ser excitante, mas geralmente precisa de tempo para amadurecer; evitar ambientes fechados ou tonéis com pouca ventilação.
- No início, era comum o uso intenso de carvalho novo; desde 2000, o oak retreat ganhou força e vinhos passaram a envelhecer em aço, concreto, vidro ou cerâmica.
- A fermentação em barril é mais comum em brancos ambiciosos, enquanto o envelhecimento em barris pequenos pode aumentar concentração e textura em tintos de certain vinhedos.
- A mudança de gosto é uma revolução do século XXI; muitos tintos antigos com carvalho não precisam dele hoje, e alguns continuam prejudicados pela presença excessiva de carvalho.
- No meu copo deste mês, o Riesling Gunderloch, sem carvalho, mantém pureza e clareza de sabor, evidenciando os benefícios de evitar barris para este estilo.
Andrew Jefford analisa a relação entre vinhedo e madeira de carvalho, em busca de entender como o oak influence se estabelece no vinho ao longo do tempo. O texto examina a evolução de atitudes, desde o uso intenso de barris até práticas mais contidas, destacando o papel da madeira no terroir.
O artigo observa que o vinho recém-ibenço pode soar excitante, mas costuma ser tumultuado e de digestão difícil. A prática tradicional recomenda maturação em recipientes que permitam pequenas trocas de oxigênio para evitar oxidação ou aromas indesejados.
Segundo o autor, envasar a vasilha de forma estanque não é solução ideal; tampouco manter o vinho em recipientes com metade vazios, que aceleram a oxidação. Barris limpos, sempre cheios, favorecem trocas discretas e previnem defeitos.
A distinção entre fermentação em barril e envelhecimento em barril é destacada. A fermentação em madeira é mais comum em brancos de alto escalão, buscando complexidade proporcionada pela interação entre vinho, levedura e madeira.
Quando bem executada, a fermentação em barril pode trazer textura rica e nuance de terroir, sem se transformar no sabor acentuado de madeira. Em brancos de alta qualidade, esse efeito tende a enriquecer a expressão de determinadas regiões.
Já o envelhecimento apenas em madeira pode tornar o vinho excessivamente oaky se não houver fermentação prévia na barrica. A prática costuma exigir cuidado para não comprometer a identidade do vinho.
Para tintos, há casos em que envelhecimento em barris pequenos, após a fermentação, agrega concentração e estrutura. Entretanto, a presença de madeira tende a se dissolver com o tempo em garrafas mais envelhecidas de certos estilos e regiões.
O autor aponta que o uso de oak intenso caiu após o século 21, com a busca por terroir em foco. Mesmo assim, a madeira continua relevante para alguns estilos ainda que de forma contida, e há críticas ao excesso de madeira em vinhos mais jovens.
Na visão de Jefford, a mudança de paladar é uma revolução do século XXI, com muitos tintos ambiciosos ainda sendo influenciados pela madeira, mas a indústria busca equilíbrio entre fruta, fruta e aroma de carvalho. O texto enfatiza que a indústria segue explorando as possibilidades da madeira sem perder a personalidade do vinho.
In the glass this month
Gunderloch Riesling, Johannes Hasselbach’s Roter Schiefer Riesling Trocken 2024, provém de áreas menos privilegiadas do vinhedo Roter Hang, mas entrega traços de terracota que o terreno de ardósia vermelha imprime, além de textura e sabor que destoam do preço. O Riesling, como regra, evita o uso de barris, preservando pureza e clareza de sabor.
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