- Em 1989, nasceu a Cuvée Spéciale em Châteauneuf-du-Pape, marcando a transição entre tradição e modernidade e buscando captar o melhor do terroir.
- Várias casas passaram a produzir bottling premium além de seus vinhos padrão, tornando as Cuvées Spéciales uma prática comum na região.
- No Clos du Mont-Olivet, Thierry Sabon lidera o projeto ao lado de Céline e David; a estate abrange 21 hectares em 15 lieux-dits, com solos principalmente de areia argilosa e Grenache dominante.
- O nome Cuvée du Papet tem origem local: papet significa avô no dialeto Provençal, homenageando Séraphin Sabon, com referência aos filmes Jean de Florette e Manon des Sources.
- A produção envolve cerca de oitenta por cento de Grenache, com Syrah e Mourvèdre, uso de aproximadamente cinquenta por cento de uvas inteiras e talhas que conferem aroma, frescor e complexidade à bebida.
O 1989 marcou uma mudança em Châteauneuf-du-Pape, abrindo espaço para bottlings premium. Surgiu a Cuvée Spéciale, rótulos que buscam expressar o melhor do terroir. A ideia era elevar a qualidade sem perder a identidade da apelação.
Antes comum: uma vinícola produzia apenas um tinto e, às vezes, um branco, com cortes de várias parcelas. Em 1989, várias casa criaram bottlings adicionais, entre eles a Cuvée du Papet da Clos du Mont-Olivet.
Desde então, essas Cuvées Spéciales passaram de exceção a prática comum entre produtores, influenciando a percepção da região e gerando debates sobre elegância, estrutura e longevidade dos vinhos.
Primeiro contato com a Cuvée du Papet
Thierry Sabon, para quem o tempo parece pesar menos, gere a Clos du Mont-Olivet ao lado de seus primos Céline e David. A vinícola, criada em 1932, pertence à quarta geração da família Sabon.
O nome Papet não deriva de o pape, mas sim do dialeto provençal, em referência ao avô Séraphin. Céline explica que é uma homenagem simples aos valores da família e ao legado rural.
A vinícola utiliza 21 ha em 15 lieu-dits em Châteauneuf, com solos de areia argilosa. Grenache domina, seguido por Syrah, Mourvèdre e Cinsault, entre outras variedades.
O que há dentro da garrafa
A ideia original veio de Pierre Sabon. A Cuvée du Papet costuma ter cerca de 80% Grenache, com Syrah e Mourvèdre completando a composição, coworkfermentação dos frutos.
O winemaker aplica cerca de 50% de talhos inteiros, que trazem a fruta delicada e aromas específicos, além de tanninos com frescor e mentolação. Os talos proporcionam complexidade, equilíbrio e longevidade.
Ao longo dos anos, o resultado tem mostrado intensidade e elegância, com uma evolução que alguns críticos associam a um estilo robusto, porém com finesse tânico.
Contexto e críticas da tendência
Não houve consenso sobre se as Cuvées Spéciales ajudam ou prejudicam a imagem de Châteauneuf-du-Pape. Nos anos 1990, algumas casas produziram vinhos pesados demais, que não suportaram o tempo.
As primeiras safras da Cuvée du Papet, no entanto, são reconhecidas por sua qualidade e continuam relevantes para entender a evolução da região e do terroir.
Três décadas de memória e degustação
Em 2019, a Cuvée du Papet de 1989 foi destacada como um dos vinhos do ano por Matt Walls. Em janeiro, o produtor abriu uma rodada vertical para revisitar a safra e a cuvée, aprofundando o conhecimento sobre o estilo.
A degustação enfatizou a intensidade aromática, a presença de fruta fresca e a sutileza de complexidade que se desenvolve com o tempo na garrafa. A experiência serviu para revisitar o legado da família Sabon.
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