- Primeiro registro em vídeo de cachalotes dando cabeçadas entre si, observados no Atlântico entre Açores e Ilhas Baleares, entre 2020 e 2022.
- Observação foi feita por meio de drones, em estudo da Universidade de St Andrews, da Faculdade de Açores e da ONG Asociación Tursiops, com foco no contexto social do comportamento.
- Indivíduos subadultos aparecem com maior frequência realizando as cabeçadas, o que levanta dúvidas sobre a função do comportamento, como disputas, testes de força, brincadeiras ou treino para combates futuros.
- Pesquisadores destacam que a cabeça abriga estruturas sensoriais para ecolocalização, sugerindo que o uso repetido como arma poderia ter custos evolutivos; o comportamento pode ser menos comum ou dependente de contextos específicos.
- A descoberta dá peso a relatos históricos, como o ataque de cachalotes ao navio Essex em 1820, mas ainda são necessárias mais observações para conclusões definitivas.
Dois a recente registro em vídeo documenta pela primeira vez cachalotes dando cabeçadas uns nos outros. O feito foi obtido por meio de drones que observaram animais no Atlântico entre 2020 e 2022, em Açores e Ilhas Baleares. A análise faz parte de um estudo publicado na Marine Mammal Science.
Os pesquisadores, da Universidade de St Andrews, em parceria com a Universidade dos Açores e a ONG Asociación Tursiops, registraram cabeçadas deliberadas e o contexto social em que ocorrem. A pesquisa é o primeiro registro audiovisual desse comportamento.
Até então, relatos históricos sugeriam que essas colisões poderiam ocorrer entre machos adultos durante disputas. O novo estudo aponta que subadultos são quem mais executa as cabeçadas, o que levanta dúvidas sobre a função do ato.
Contexto e implicações
A cabeça dos cachalotes abriga estruturas para ecolocalização, o que costuma tornar esse osso uma possível arma pouco provável de ser repetida com frequência. Cientistas discutem se o comportamento é parte de interações sociais ou um treino para combates futuros.
Os resultados alimentam debates sobre a história de navegações e avistamentos de baleias. Registros do navio Essex, afundado em 1820 após encostar numa cachalote, ganharam novas leituras à luz das imagens modernas.
A pesquisa utiliza drones para ampliar a observação de comportamentos próximo à superfície com menor interferência. Os autores destacam a novidade de ver o comportamento em várias situações sociais.
Os cientistas enfatizam a necessidade de mais observações para confirmar funções e frequência. A descoberta reforça a hipótese de que relatos antigos podem ter partes de verdade sobre a vida social dessas baleias.
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