- Pesquisadores testaram a localização de colônias de abutres-de-rüppell por imagens de satélite, identificando 232 sítios de nidificação não documentados em sete países.
- A maior parte das descobertas ocorreu no Sudão, no Sudão do Sul e no Chade; também foram encontrados locais na República Centro-Africana, Eritreia, Etiópia e Somália.
- No sudão, nas montanhas Jebel Marra, foram encontrados 36 sítios potenciais, mas a violência local impede trabalho de campo em muitas áreas.
- No sudão do sul, um levantamento aéreo confirmou a existência de cinco colônias detectadas por satélite e revelou cliffs menores com 2–3 pares de nidificação não identificados anteriormente.
- Na Etiópia, a metodologia foi menos eficaz devido à geografia acidentada e à presença de muitas encostas; ainda assim, a abordagem pode exigir confirmação presencial para validar as nidificações.
A equipe de pesquisa testou uma abordagem remota para localizar colônias de abutres Rüppell’s, uma espécie criticamente em perigo. O método usa imagens de satélite de acesso público para mapear possíveis ninhos baseados no branco das fezes nas falésias.
Ao todo, 232 locais de nidificação não documentados foram identificados. A maior parte fica em Sudão, Sudão do Sul e Chade, com outros pontos na República Centro-Africana, Eritréia, Etiópia e Somália.
Metodologia e descobertas iniciais
As análises focaram em penhascos com mais de 20 metros de altura, em áreas montanhosas de mais de 6 milhões de km². O estudo confirmou a existência de cinco colônias em campo, no sul do Sudão, por meio de levantamentos aéreos.
A região em torno das montanhas Jebel Marra, no sudoeste do Sudão, abrigaria 36 possíveis colônias. Estas áreas coincidem com zonas afetadas por violência recente, o que restringe o acesso de pesquisadores.
Limitações e validação de campo
Em Etiópia, a técnica teve menor desempenho devido a desníveis de relevo e sombra que escondem as fezes brancas. A existência de sítios de nidificação extensos também reduz a dependência de grandes conglomerados de ninhos.
A persistência de marcas velhas de whitewash pode levar a falsos positivos. Visitas de campo são necessárias para confirmar se as aves continuam no local.
Verificação em campo e próximos passos
Uma checagem de campo realizada em dezembro de 2024, na África Oriental, confirmou que Boma e Badingilo, parques nacionais do Sudão do Sul, são hotspots já conhecidos e apoiou a identificação remota. A verificação reforça a utilidade do método.
Cenas de violência na região, como em El Fasher, no Darfur, dificultam novas visitas. Mesmo assim, a localização de falésias com potenciais ninhos continua relevante para proteção de espécies.
Implicações para conservação e ameaças
Entre os 232 locais indicados, apenas 21 ficam dentro de áreas protegidas. A ameaça mais significativa é o envenenamento de carcaças, usado por agricultores e caçadores para controlar predadores ou por usos ilegais.
Em Chad, organizações locais relatam 111 carcaças de Rüppell’s só no último semestre, muitas com partes removidas. O monitoramento de colônias pode orientar ações de proteção e combate ao tráfico de partes de aves.
Perspectivas e parcerias
Os autores defendem que a sensorição remota pode localizar colônias de outras espécies de abutres e, possivelmente, de regiões como a Península Arábica e Índia. A combinação de imagens e verificação em campo é vista como ferramenta-chave para conservação.
Autoras citadas acessoriamente destacam que conhecer a localização de colônias é essencial para proteger uma espécie cuja sobrevivência depende de ações diretas e coordenadas. Fontes citadas incluem pesquisadores e organizações de conservação.
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