- Pesquisadores thai use rótulos de “bycatch” de armadilhas fotográficas para identificar um reduto de anta asiática no Complexo Florestal de Khlong Saeng–Khao Sok, no sul de surat Thani.
- Dados de 2016 a 2017, obtidos em 40 locais, mostraram pelo menos 43 anta individualizadas, a maior parte fotografada à noite.
- Estimativa de densidade populacional entre seis e dez indivíduos por cem quilômetros quadrados, sugerindo até quatrocentos e trinta e seis indivíduos maduros no conjunto, quando extrapolada para toda a área.
- Os resultados reforçam que o tamanho observado é maior do que estimativas da IUCN para a região, mas devem ser interpretados com cautela, pois não há distribuição uniforme pelo complexo.
- O estudo destaca o valor de conjuntos de dados de armadilhas fotográficas para entender espécies de pequeno raio de ação e orienta a conservação da anta, que depende de áreas protegidas amplas.
O estudo conduzido na Tailândia utiliza dados de câmeras-armadilha arquivados para identificar um refúgio de tamanduás asiáticos na complexa rede de áreas protegidas de Khlong Saeng–Khao Sok, na província de Surat Thani, no sul do país. A pesquisa, liderada pelo biólogo Wyatt Petersen, foi publicada na revista Mammalian Biology.
Entre 2016 e 2017, as armadilhas fotográficas, instaladas originalmente para monitorar ursos, capturaram 91 imagens de tamirús indicus em 40 locais. A equipe identificou ao menos 43 indivíduos, principalmente fotografados à noite, por meio de traços como cicatrizes e marcas nas orelhas.
Descobertas-chave
A densidade estimada ficou entre 6 e 10 tamirús por 100 km2, o que levaria a uma população de até 436 indivíduos maduros no complexo Khlong Saeng–Khao Sok. Esse número supera as estimativas da IUCN para o conjunto Tailândia-Myanmar, que eram inferiores a 250.
Os autores destacam que a população real é incerta, pois a distribuição não é uniforme pelo território. Ainda assim, o estudo aponta o complexo como um corredor vital para a espécie na região e recomenda foco de conservação e pesquisas adicionais.
A pesquisa também revelou padrões de comportamento, como aumento de tamirús com a elevação, contraste com dados de Sumatra, e diferenças de uso de espaço entre os sexos, com machos aparecendo mais nas câmeras. Os resultados sugerem que dados existentes de câmeras podem ampliar o conhecimento sobre tamirús e outras espécies de pequeno alcance.
Naparat Suttidate, ecologista, ressalta a importância de proteção de remanescentes florestais. Segundo ele, os tamirús exercem papel de dispersão de sementes e ajudam a manter a biodiversidade, reforçando a necessidade de ações de conservação.
Implicações para conservação
Os autores enfatizam que preservar refúgios florestais remanescentes é crucial para a sobrevivência de uma espécie de rápida queda populacional. As descobertas destacam a utilidade de dados de monitoramento já existentes para entender espécies pouco estudadas diante de perda de habitat e mudanças ambientais.
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