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Zonas de proteção de abutres na África enfrentam severo teste

Zonas seguras de urubus na África enfrentam vastas áreas e envenenamento, desafiando eficácia, mesmo com casos bem-sucedidos como Tswalu

A white-backed vulture in Zimbabwe. Image by Chris Collyer/ Birdlife Zimbabwe.
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  • Em África, zonas seguras para urubus surgem para enfrentar ameaças distintas, como envenenamento, redes de energia e infraestrutura, com foco em áreas de forrageamento, nidificação e uso da terra.
  • A maior zona segura na África do Sul fica no Tswalu Kalahari Reserve, criada em 2019, cover de 114.000 hectares, onde foram feitas medidas como redes de proteção em reservatórios e fim de uso de munição com chumbo.
  • O objetivo é transformar a reserva de 120.000 hectares em um refúgio seguro para espécies ameaçadas como o urubu-rei, o urubu-de cara-lisa e o urubu-de occipital (ou branco‑cabeça).
  • Zonas seguras na África são inspiradas em modelos asiáticos, que visam eliminar diclofenaco e outros NSAIDs (medicamentos anti-inflamatórios) usados em animais, além de enfrentar envenenamento intencional e colisões com linhas de energia.
  • A discussão entre especialistas envolve definir tamanho ecológico significativo das zonas, monitoramento padronizado e criação de diretrizes para zonas em terras comunitárias, com exemplos como Zâmbia, África do Sul, Zimbábue e Zimbabwe buscando rumo comum.

A proteção de abutres na África é desafiadora devido a territórios extensos, espécies de reprodução lenta e riscos como venenos usados contra outras fauna e infraestruturas novas, como linhas de energia. A implementação de chamadas “zonas seguras de abutres” surge como resposta, mas a prática mostra dificuldades.

A primeira zona segura de abutres na África fica na Reserva Tswalu Kalahari, no sul do Deserto de Kalahari, na África do Sul. Criada em 2019, abrange 114 mil hectares em terras da família Oppenheimer. A gestão busca proteger abutres brancos de cauda preta e de orelha-de-lince, entre outras espécies.

Para tornar a reserva uma zona segura, foram adotadas medidas como redes em reservatórios para evitar afogamentos e a redução do uso de munição com chumbo. O objetivo é transformar a área em refúgio para abutres ameaçados, incluindo as espécies citadas.

O conceito internacional

A ideia de zonas seguras começou na Ásia, onde a diminuição de abutres se vinculou ao diclofenaco, medicamento veterinário tóxico para as aves. O objetivo é eliminar esse veneno e assegurar alimento seguro para os carnívoros alados, com critérios de alcance de 100 km ao redor de ninhos.

Na prática asiática, as zonas costumam exigir monitoramento intenso, marcação de abutres e testes de carcaças para diclofenaco. Na Ásia, há dezenas de iniciativas, com Nepal possuindo uma zona consolidada que cobre cerca de 720 mil hectares.

Adaptação para a África

Em 2017, a Convenção sobre Espécies Migratórias orientou ações para a África. Assim nasceu o Plano Multiespécies de Ação para abutres, com zonas seguras como eixo central. BirdWatch Zambia inaugurou a primeira zona segura no país, abrangendo reservas de caça e áreas privadas.

As zonas africanas expandem o foco para além do diclofenaco, tratando também de envenenamento intencional, caça, perda de microhabitats de ninhos e colisões com linhas elétricas. A meta é reduzir riscos em áreas de alimentação e reprodução.

Resultados e desafios

O desafio é que abutres não permanecem restritos às zonas. Em Tswalu, por exemplo, adultos podem voar para além dos limites, enfrentando perigos em outros locais. Estudos indicam que abutres brancos percorrem milhares de hectares em busca de alimento.

Em Zululand, a situação é mais complexa: embora haja avanços na gestão de resíduos e redução de chumbo, há relatos de envenenamento deliberado, com mais de 60 incidentes desde 2019. As autoridades destacam a importância do engajamento comunitário.

Perspectivas de padronização

Especialistas defendem diretrizes padronizadas para o monitoramento e validação de zonas seguras, com tamanho ecologicamente significativo, similar ao modelo asiático. Há consenso sobre criar um guia comum para facilitar ações em terras comunitárias.

Líderes de organizações conservacionistas destacam a importância de ações com participação local, incluindo escolas e comunidades, para ampliar a proteção sem depender apenas de grandes áreas. O objetivo permanece: reduzir ameaças e manter as populações de abutres estáveis.

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