- Estudos sugerem que cobras real king* (*Ophiophagus kaalinga*) podem viajar de trem em Goa, no oeste da Índia, usando as ferrovias como rota de dispersão.
- A pesquisa reuniu dois décadas de registros de resgate de cobras, avistamentos verificados e relatos locais, com foco nas áreas florestais e úmidas dos Ghats Ocidentais.
- Cinco casos chamaram a atenção: cobras encontradas perto de estações ou trilhos, em locais considerados inadequados pelo modelo.
- Explicação mais simples: cobras teriam chegado involuntariamente a bordo de vagões de carga, viajando dezenas de quilômetros por ferros e pátios, onde há abrigo, roedores e outras cobras.
- Os autores recomendam testes genéticos, armadilhas fotográficas e monitoramento mais próximo de entroncamentos ferroviários para entender se o padrão persiste.
Oncologicamente, a pesquisa revisa ocorrências de cobras-rei em trilhos da Índia. O estudo aponta que os animais podem viajar inadvertidamente em trens na região oeste do país, transformando ferrovias em trajetos de dispersão.
A equipe liderada por Dikansh S. Parmar analisa dois décadas de registros de resgate de cobras, avistamentos verificados e relatos locais. Goa, estado costeiro, figura como foco central da investigação.
Os autores usam um modelo de distribuição de espécies que, em termos gerais, aponta habitats florestais e úmidos das Western Ghats como mais prováveis para cobras-rei. Cinco casos se destacam como anomalias.
Casos notáveis
Em Chandor, uma cobra foi resgatada em uma estação, abrigada entre trilhos armazenados e pilares de concreto. Em Vasco da Gama, Loliem, Patnem e Palolem, cobras foram encontradas próximas a plataformas ou trilhos, longe de áreas florestais.
Segundo os pesquisadores, essas situações sugerem chegada acidental, não preferência por plataformas. Trens de carga percorrem áreas de bom habitat para a espécie e chegam a áreas mais secas de Goa, onde o ambiente é menos adequado.
Cobras podem encontrar abrigo em quintais de pátio, abrigos de vagões e perto de roedores, aumentando a chance de viagem entre regiões. Casos documentados na imprensa indiana já exibiram cobras em locomotivas em movimento.
Implicações e próximos passos
A pesquisa enfatiza riscos para cobras e para pessoas, especialmente por vulnerabilidades a ataques e à ausência de antiveneno específico para a cobra-rei no país. A bite pode ser fatal em minutos, exigindo atendimento rápido.
Os autores propõem testes genéticos, câmeras de monitoramento e uma vigilância mais próxima de terminais ferroviários para confirmar se o padrão observado persiste. Estruturas lineares podem, assim, conectar habitats de forma rápida.
A investigação mantém o tom conservador: ainda não há certeza de dispersão generalizada via ferrovia, mas a hipótese é fortalecida por evidências de várias localidades próximas a trilhos. A ideia é compreender melhor o papel das infraestruturas na dinâmica da espécie.
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