- O Purosangue da Ferrari tem motor V12 aspirado de 725 cavalos, tração integral com uma caixa de duas marchas à frente do motor e um transaxle de oito marchas na traseira.
- A suspensão Multimatic TASV não usa barras estabilizadoras, mas usa fluido hidráulico e fusos para controlar o balanço; a altura de 62,6 polegadas e rodas grandes afetam o conforto em pisos ruins.
- Em uma viagem de cerca de 1.100 quilômetros pela Califórnia, o consumo ficou em torno de 5 km por litro, refletindo o foco em performance.
- No modo Sport, a Ferrari oferece suspensão mais firme e resposta de direção mais agressiva, reforçando a sensação de supercarro.
- Pontos negativos: não há tela central de infotainment, navegação limitada e espaço interno reduzido, especialmente no banco traseiro e no porta-malas; o carro chamou muito a atenção durante a viagem.
O Ferrari Purosangue é apresentado pela fabricante como o primeiro SUV da marca, lançado em 2022. Mesmo assim, a Ferrari insiste que o modelo não é um SUV comum, mantendo um V12 aspirado e suspensão derivada de competição. O objetivo é combinar desempenho de supercarro com versatilidade de uso diário.
Em uma viagem de cerca de 1.100 quilômetros pela Califórnia, o veículo foi avaliado com foco em conforto, dinâmica e consumo. O teste começou na região da West Los Angeles, em meio a estradas com ondulações que desafiaram a suspensão adaptativa TASV, que substitui barras estabilizadoras.
O Purosangue tem altura de 62,6 polegadas e peso acima de 5 mil libras com carga. Rodas de 22” na dianteira e 23” na traseira colaboram para o comportamento em piso irregular, reforçando a percepção de que o carro pende mais para o profile de supercarro do que de utilitário.
Desempenho e motorização
Um V12 aspirado de 725 cavalos impulsiona o veículo, com tração integral e uma configuração de duas marchas à frente do motor, associada a um transaxle de oito velocidades. O motor entrega o som característico ao atingir as rotações próximas de 8.250 rpm.
O conjunto propulsor garante respostas rápidas em rotações variadas. Em vias de asfalto colonizadas por curvas, o modo Sport aumenta a firmeza da suspensão e intensifica a sensação de dirigibilidade típica de Maranello, tornando o Purosangue mais próximo de um supercarro em determinados trechos.
O consumo, porém, não acompanha o apelo esportivo. Durante o trajeto pela costa central da Califórnia, o indicador de eficiência ficou próximo de 5 km/l, lembrando que o foco é o prazer de dirigir, não a economia de combustível.
Uso cotidiano x espírito esportivo
Ao longo da viagem, o Purosangue cumpriu bem o papel de “stormer” de estrada, com destaque para trajetos em estradas de serra entre Santa Barbara, Carmel e Monterey. O motorista pode ajustar o equipamento para o modo Sport, que oferece resposta mais ágil e articulation de chassis mais firme.
A curiosidade de terceiros aumentou em cada parada, com olhares e perguntas sobre o que representava o veículo. A imagem de Ferrari atraía atenção, mas também gerava debates sobre como enquadrar um carro tão alto dentro do DNA da marca.
Desafios de usabilidade e conforto
Entre as limitações observadas, a tela central não está presente no painel, o que dificulta navegação e integração com mapas. O motorista depende de recursos no painel do passageiro para funções de infotainment, incluindo algumas operações de áudio e rádio.
O sistema de climatização apresenta peculiaridades: o seletor recua para o painel antes que o fluxo de ar seja ajustado. Além disso, existem avisos sonoros frequentes que podem interromper a experiência, inclusive em paradas curtas.
Os bancos, para alguém com 1,85 m, tendem a ficar entre firmeza e suporte adequado, mas podem não atender a todos os biotipos em viagens longas. O porta-malas também é relativamente compacto, refletindo o equilíbrio entre performance e espaço de bagagem.
Se as viagens longas exigem planejamento, o Purosangue entrega informações práticas para deslocamentos com curvas e estradas desafiadoras, mantendo o caráter esportivo sem abandonar a funcionalidade necessária ao cotidiano.
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