- A eleição para prefeito de Paris ocorre no domingo; Anne Hidalgo não concorre, e o duelo é entre o socialista Emmanuel Grégoire e a conservadora Rachida Dati, com a estrategista de direita radical Sarah Knafo ganhando espaço nas sondagens.
- Grégoire defende ampliar a agenda verde; Dati busca manter a “organização” das ruas, destacando críticas à limpeza e à situação das vias.
- Sob Hidalgo, Paris instalou cerca de 1.000 quilômetros de ciclovias, retirou milhares de vagas de estacionamento e transformou trechos à beira do Sena em áreas de pedestres; trânsito de carro caiu mais de sessenta por cento desde 2002 e o uso de bicicleta triplicou.
- A cidade tem visto melhoria na qualidade do ar, mas enfrenta críticas sobre dívida municipal, que alcança em torno de 10 bilhões de euros.
- Knafo tem mais de 10% nas pesquisas e pode chegar ao segundo turno, ampliando o cenário para a eleição; Grégoire oscilando em aproximadamente trinta e poucos por cento, Dati em volta de trinta por cento.
Paris encara teste da transformação verde em eleição municipal
Marion Soulet, líder do grupo Paris en Selle, percorreu hoje a Rue de Rivoli, que antes era dominada por carros e hoje funciona como ciclovia. O passeio simboliza a transformação urbana da capital francesa, tema central da eleição municipal realizada neste domingo.
A candidatura ligada ao município, com foco na mobilidade sustentável, ganha força em meio à avaliação de que Paris vem se reestruturando sob a gestão de Anne Hidalgo e sucessores de esquerda. A disputa envolve críticas sobre dívidas, obras e qualidade de vida, com Hidalgo fora da corrida.
Soulet elogiou a construção de cerca de 1.000 km de ciclovias nos últimos anos, iniciativa associada à ideia de uma cidade mais habitável. Ela afirmou que quase metade dos parisienses pedala ao menos uma vez por semana, segundo dados da prefeitura.
O peso da agenda ambiental
A campanha destaca a criação de um modelo de cidade 15 minutos, com mais árvores e menos dependência de carros. A prefeitura registrou queda no trânsito em mais de 60% desde 2002 e triplicação no uso de bicicletas, além de plantio de 130 mil árvores.
Entretanto, o projeto também enfrenta críticas sobre dívida municipal, estimada em cerca de 10 bilhões de euros, e questões de limpeza urbana. Especialistas divergem sobre impactos de longo prazo da agenda verde na vida cotidiana.
Rumo a um segundo turno
Entre os candidatos, o socialista Emmanuel Grégoire (aprox. 33%) defende ampliar a agenda verde, enquanto a conservadora ex-ministra Rachida Dati (cerca de 30%) procura manter o equilíbrio entre mobilidade e aspectos de segurança e urbanismo. Uma candidata de direita, Sarah Knafo, aparece com benefícios potenciais de até 10% nas sondagens, aumentando a imprevisibilidade.
Dati, que chegou a enfatizar a limpeza das vias, tem adotado tom mais moderado sobre ciclovias e transporte, em meio a questões legais que envolvem sua carreira. A vantagem de Grégoire seria consolidar o eixo ambiental, com apoio entre eleitores favoráveis à política pública de mobilidade.
Debates e críticas
Críticos da transformação apontam que as obras provocaram interrupções e custos elevados. O debate também envolve a percepção de segregação entre áreas centrais e periferias, onde o acesso ao transporte público e às mudanças urbanas é mais desigual.
Knafo passou a promover propostas envolvendo tecnologia e mobilidade, buscando atrair eleitores que desejam alterações rápidas. Soulet entende que o apelo de Knafo fica restrito a um segmento específico de moradores.
O desfecho da eleição definirá se Paris continuará a virada verde iniciada nos últimos anos ou se haverá ajustes significativos no ritmo de implementação de obras e em políticas de dívida pública.
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