- MIT criou o primeiro modelo completo de tráfego de pedestres em uma cidade dos EUA, mapear calçadas, travessias e caminhos em Nova York.
- O estudo utilizou dados de 2018 e 2019, calibrando o modelo com até 1.000 trechos de calçada em dias úteis e cerca de 450 trechos aos fins de semana.
- No pico da noite, Midtown Manhattan registra cerca de 1.697 pedestres por trecho de calçada por hora; Distrito Financeiro tem 740 e Greenwich Village, 656.
- Outras áreas apresentam números menores, como Morningside Heights (226) e East Harlem (227), além de Brooklyn Heights (277), University Heights (263) e Corona (222).
- O modelo também quantifica riscos por pedestre em cada local, ajudando a identificar áreas com maior necessidade de infraestrutura, e pode ser aplicado a outras cidades americanas, como Los Angeles e Maine.
O MIT anunciou a primeira cartografia completa do tráfego de pedestres em uma cidade dos EUA. O estudo reúne dados de calçadas, faixas de pedestres e caminhos para toda a cidade de Nova York, oferecendo o primeiro modelo completo de atividade de pedestres no país. A pesquisa pode embasar decisões de infraestrutura e de espaço público.
Os autores destacam que a cidade, apesar de conter alta densidade de pedestres fora de áreas famosas, ainda não recebia avaliação abrangente desse movimento. O trabalho usa dados de contagem de pedestres da cidade, calibrando o modelo para estimar o fluxo em toda a cidade, não apenas nos pontos observados.
A equipe liderada por Andres Sevtsuk, professor no MIT, indica que Manhattan concentra o maior fluxo por quarteirão, mas outras regiões também apresentam avenidas com grande circulação de pedestres. O estudo identifica bairros de Queens, Bronx, Brooklyn e até partes de Staten Island com volumes relevantes.
Aplicações políticas e de segurança
O modelo permite avaliar onde investir em infraestrutura para pedestres e onde desenvolver espaços públicos. Além disso, aponta locais com altos riscos por pedestre, per capita, reforçando a compreensão de perigos além das vias com mais acidentes.
Os pesquisadores também quantificaram colisões envolvendo pedestres por pessoa, o que amplia a visão sobre áreas mais perigosas. Segundo Basu, alguns locais com muitos acidentes podem ter menor fluxo, enquanto outros com menos ocorrências mantêm alto risco por pedestre.
A publicação, intitulada Spatial Distribution of Foot-traffic in New York City and Applications for Urban Planning, aparece na Nature Cities. O grupo inclui colaboradores de Georgia Tech e de laboratórios do MIT, como o City Form Lab e o Leventhal Center for Advanced Urbanism.
Ampliando horizontes nacionais
O estudo já serve como base para aplicações em outras cidades. Além de Nova York, o MIT trabalha com autoridades de Los Angeles e de Maine, para mapear mobilidade de pedestres e planejar melhorias de infraestrutura. A iniciativa busca ampliar o entendimento sobre impactos de novos empreendimentos urbanos.
Sevtsuk ressalta que, mesmo com singularidades de Nova York, as ferramentas do projeto podem ser adaptadas a outras cidades americanas. A meta é ajudar a decarbonizar o ambiente urbano e equilibrar o foco histórico excessivo no tráfego de carros.
O artigo enfatiza que diferentes horários revelam padrões de deslocamento: pela manhã, trajetos entre casa, trabalho e escola dominam, enquanto ao meio-dia e à tarde há mais diversidade de destinos, como comércios e atividades sociais.
Entre na conversa da comunidade