- A Faculdade de Harvard vai votar, na próxima semana, uma proposta de limitar o número de notas A por disciplina para combater a inflação de notas (limite de 20% com possibilidade de quatro A adicionais).
- A proposta também prevê um novo sistema interno de “classificação percentílica média”, que usa notas brutas para definir honrarias e prêmios, em vez de apenas GPA.
- Se aprovada, a política começaria a valer no semestre de outono de 2027.
- A ideia recebe críticas de estudantes, incluindo membros do editorial do Crimson, que afirmam que a medida não resolve o problema da qualidade da avaliação.
- Dados internos apontam alta inflação de notas: cerca de sessenta por cento das notas em 2024-25 foram A, com quase oitenta e cinco por cento no intervalo A.
Harvard deverá votar na próxima semana uma proposta de comitê para limitar o número de notas A por curso, como forma de reduzir a inflação de notas. O ajuste estabelece teto de 20% de As por disciplina, com possibilidade de quatro As adicionais, e cria um novo sistema interno de “classificação percentil médio”.
Caso aprovada, a política entra em vigor no outono de 2027, segundo o Wall Street Journal. A ideia busca abrir espaço para uma correção na valorização excessiva de notas altas, apontada em documentos do comitê de avaliação.
O relatório do comitê, apresentado por Amanda Claybaugh, reitera que a inflação de notas compromete a qualidade do processo avaliativo. Dados de 2024-25 indicam que aproximadamente 60% das notas foram A, contra 25% em 2005-06.
Segundo o documento, a elevação constante das médias gerou compressão de notas, com dois terços das avaliações no patamar A e quase 85% no espectro A. A proposta defende maior alcance de faixas de pontuação e feedback mais detalhado.
Além disso, o comitê defende que o uso de um “percentil médio” baseado em notas brutas substitua o GPA para determinar honras e prêmios, buscando alinhamento com objetivos de aprendizagem.
A divulgação da proposta gerou críticas entre estudantes. Cerca de 94% dos alunos, em pesquisa da representação estudantil, declarou oposição ao teto de As, com receios de aumentar estresse e competição.
A editoria do Harvard Crimson avaliou que a medida não resolve efetivamente o problema de rigidez na avaliação, defendendo que o foco deve ser restaurar o rigor em sala de aula em vez de readequar a curva.
Reação entre docentes permanece mista. Parte da comunidade acadêmica expressou apoio cauteloso à proposta, enquanto outros temem reduções na adesão a disciplinas mais desafiadoras e veem risco à autonomia docente.
Histórico comparativo aponta que Princeton implementou política semelhante entre 2004 e 2014, porém encerrou a prática. A experiência é citada em debates como exemplo de impacto sobre cultura de aprendizado.
Reação estudantil e bastidores
Estudantes destacam preocupações com impactos na experiência acadêmica, na motivação para cursos exigentes e no peso das avaliações. Parlamentares estudantis e conselhos acadêmicos avaliariam próximos passos após a votação.
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