- Começa na segunda-feira, 30, a transferência do Campus Norte da UnDF do Lago Norte para Ceilândia, a mais de trinta quilômetros de distância, em prédio alugado do Centro Universitário IESB, por aproximadamente 110 milhões de reais em cinco anos.
- A mudança ocorreu sem consulta prévia, levando a greve por tempo indeterminado de docentes e estudantes e à ocupação do campus nos últimos dias.
- Críticas dizem respeito à falta de diálogo, ao custo do contrato financiado pelo fundo da universidade e à sensação de precarização do ensino público, incluindo a ausência de instâncias deliberativas formais.
- Sobre permanência estudantil, cerca de 70% dos alunos podem ser afetados; 313 de 454 respondentes em questionário não teriam condições de se deslocar até Ceilândia, com trancamentos já ocorrendo.
- A universidade afirma que a reorganização busca ampliar o acesso em regiões populosas, enquanto estudantes e docentes defendem que recursos deveriam ir para campi próprios e políticas de permanência, como transporte e infraestrutura.
Nesta segunda-feira 30, a transferência do Campus Norte da Universidade do Distrito Federal (UnDF) começa, levando os cursos do Lago Norte para Ceilândia, a mais de 30 km de distância. O governo do DF firmou contrato para instalar 11 cursos em prédio alugado do Centro Universitário IESB, por cerca de 110 milhões de reais em cinco anos. A decisão ocorreu sem consulta prévia, o que desencadeou greve de estudantes e professores, com ocupação do campus nos últimos dias.
Ato e adesão
A paralisação por tempo indeterminado foi aprovada em assembleia de docentes em 12 de março, com adesão estudantil dias depois. Desde então, as aulas estão suspensas. Em plena semana, houve ocupação do Campus Norte por dois dias, em protesto contra o processo de mudança.
Motivos da reação
Entre as críticas estão a falta de diálogo, o custo do aluguel com recursos da universidade e a percepção de precarização do ensino público. Professores pedem valorização da carreira, melhores condições de trabalho e participação direta nas decisões administrativas, incluindo eleição direta para a reitoria.
Estrutura da gestão
Uma representante da seção sindical dos docentes (SinDUnDF) destacou a ausência de instâncias deliberativas formais. Segundo ela, a legislação prevê composição majoritária de docentes nesses colegiados, o que não estaria sendo observado.
Impacto para alunos
O deslocamento gera apreensão entre alunos sobre permanência e matrícula. O Diretório Central Acadêmico aponta que cerca de 70% dos estudantes podem ser impactados, com risco de trancamento ou abandono. Um questionário mostrou que 313 de 454 respondentes não têm condições de se deslocar até Ceilândia.
Deslocamento e alternativas
A maior parte dos estudantes reside em Planaltina, Sobradinho, Paranoá e Varjão, o que tende a tornar o trajeto mais longo e caro. Já há registros de trancamentos de matrícula nas últimas semanas, motivados pela mudança.
Posições oficiais
A UnDF informou que as atividades dos cursos transferidos devem começar em Ceilândia nesta segunda. Foi aberto prazo até sexta-feira 3 para manifestação de interesse em mudança interna de curso, permitindo, por exemplo, transferir Letras-Português para Tecnologia da Informação.
Contexto político e futuro
O governo do DF e a reitoria defendem a medida como reorganização administrativa e expansão do acesso ao ensino, com Ceilândia destacada pela sua população. Críticos afirmam que o recurso público seria melhor empregado em campi próprios já disponíveis, em vez de locação temporária.
Caminhos e diálogo
O movimento sindical enfatiza a necessidade de políticas de permanência, transporte e infraestrutura estudantil. A greve é liderada pelo SinDUnDF, que planeja ato nesta segunda na Assembleia Legislativa do DF. A posse da liderança Política local está prevista para o mesmo dia.
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