- Áustria abriu caminho para receber pesquisadores dos Estados Unidos, com programa de bolsas e contratação acelerada para docentes e pesquisadores em início/mediados de carreira, visando pelo menos cinquenta acadêmicos no prazo de um ano.
- Wali Malik, especialista em robótica laboratorial, mudou-se para Viena para liderar infraestrutura robótica na instituição Aithyra, após perceber impactos do endurecimento político nos EUA.
- O movimento de acadêmicos dos EUA para a Europa ganhou impulso com exemplos como professores de Yale que aceitaram vagas em universidades canadenses e outras instituições europeias oferecendo “asilo científico”.
- A Academia Austríaca de Ciências lançou, em 2025, o primeiro programa de bolsas para pesquisadores de todas as nacionalidades em instituições dos EUA, com vinte e cinco contemplados recebendo, cada um, €500 mil.
- A ministra austríaca Eva-Maria Holzleitner afirmou que, apesar de modesto, o programa sinaliza a estabilidade democrática e o compromisso da Áustria com ciência sem diktats ideológicos.
Austría oferece abrigo a docentes e pesquisadores dos EUA enquanto o governo de Donald Trump intensifica ataques às universidades e à pesquisa. A mudança ocorre em meio a cortes de financiamento e retaliações políticas que afetam bolsas e cargos federais.
Wali Malik, especialista em robótica de laboratório, deixou Boston para liderar a infraestrutura robótica na Aithyra, instituição austríaca de ciências da vida criada em 2024. O objetivo é incorporar inteligência artificial em todas as etapas do desenvolvimento científico.
A decisão de Malik reflete o clima nos EUA, onde cortes de verbas federais passaram a impactar pesquisas financiadas pelo NIH e pela NSF, reduzindo o ritmo de projetos e demitindo pesquisadores. O pesquisador afirmou ter visto o “sinal amarelo” antes de partir.
Austria surge como destino atrativo para quem busca estabilidade acadêmica. A ministra Eva-Maria Holzleitner divulgou planos para atrair pelo menos 50 docentes dos EUA em um ano, por meio de contratação acelerada e de programas de bolsas para jovens pesquisadores.
Além disso, o governo austríaco voltou a enfatizar o papel da ciência sem diktats ideológicos. O escritório da ministra informou que há fundos para estudantes que enfrentam restrições por raça, gênero ou engajamento cívico, fortalecendo a imagem do país como refúgio científico.
A iniciativa é acompanhada por anúncios da Academia de Ciências da Áustria, que lançou um programa de bolsas com apoio originário do Plano Marshall. Em 2025, foram anunciados os primeiros contemplados, com apoio financeiro significativo para cada pesquisador.
Outros casos internacionais também sinalizam mudanças. Historiadores de Yale migraram para a Universidade de Toronto, e várias instituições europeias ampliaram campanhas de “asilo científico” para pesquisadores norte-americanos, com forte interesse da França e de universidades italianas.
Alexander Lex, pesquisador de interação humano-computador, mudou-se para a Graz University of Technology após anunciar, no ano anterior, a transferência de seu laboratório para a Áustria. Ele afirmou ter buscado oportunidades no país antes ou após a eleição de 2024.
Hussam Habib, que trabalha com políticas de plataformas e polarização política, também migrou para a Áustria, aceitando uma bolsa destinada a profissionais que deixam os EUA. Ele relata que dificuldades de financiamento e pressão política pesaram na decisão.
A percepção entre pesquisadores deslocados ou em vias de deixar os EUA é de maior segurança institucional na Europa. Além de oportunidades de carreira, observadores destacam que a mudança pode reduzir a exposição a retóricas políticas que afetam a pesquisa.
Contexto e impactos
Autoridades europeias destacam que a mobilidade acadêmica pode enriquecer instituições locais com novas perspectivas e projetos de ponta. Estudos de neurociência, IA e ciência dos materiais aparecem entre as áreas mais procuradas por chercheurs norte-americanos.
Especialistas ressaltam que a presença de pesquisadores estrangeiros pode ampliar redes de cooperação, melhorar a captação de recursos e diversificar equipes. Riscos incluem a fuga de cérebros a longo prazo e a necessidade de integração cultural e administrativa.
A comunidade científica permanece monitorando respostas institucionais nos EUA, incluindo mudanças em políticas de financiamento e em procedimentos de concessão de bolsas. Analistas destacam que o cenário político pode continuar influenciando a)o cenário acadêmico global.
Austria, por ora, consolida-se como ponto de referência para quem busca estabilidade, financiamento de pesquisa e menos interferência ideológica. O país afirma compromisso com ciência independente, mantendo portas abertas para talentos de diversas nacionalidades.
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