- Dois líderes pro-palestina britânicos foram considerados culpados por violar condições de protesto aplicadas à manifestação de 18 de janeiro de 2025.
- Ben Jamal, 62 anos, diretor da Palestine Solidarity Campaign, e Chris Nineham, 63 anos, vice-presidente da Stop the War Coalition, respondem por descumprimento das condições de um protesto que integrou uma série de 34 atos desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023.
- O julgamento, realizado no Westminster magistrates court, determinou que as condições eram legais e necessárias, e que ambos tinham conhecimento delas, conforme o veredito do juiz Sternberg.
- Jamal também foi condenado por duas acusações de incitar outros manifestantes a violar as condições, com o juiz considerando o seu discurso como incitamento.
- A atuação da polícia metropolitana gerou críticas por meio de relatos de repressão durante o protesto em Londres, com mais de setenta pessoas presas, e houve pedidos de investigação independente por parte de líderes sindicais e demais observadores.
Dois líderes proeminentes do movimento de solidariedade a Palmeira na Grã-Bretanha foram considerados culpados de violar condições de manifestação. Ben Jamal, 62, diretor da Palestine Solidarity Campaign (PSC), e Chris Nineham, 63, vice-presidente da Stop the War Coalition, foram acusados de não cumprir as regras impostas a uma manifestação em 18 de janeiro de 2025. Eles responderam por crimes de ordem pública.
A ação ocorreu no contexto de 34 protestos nacionais pró-Palestina desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023. O julgamento ocorreu nesta semana no Westminster Magistrates’ Court, com o veredito proferido pelo juiz Sternberg. Ele considerou as condições legais e necessárias, afirmando que ambos os réus tinham pleno conhecimento delas.
Jamal também foi condenado por duas acusações de incitar outros manifestantes a violar as condições policiais. Segundo o juiz, o discurso feito por Jamal no protesto constituiu incitação, por ser uma sugestão, persuasão e indução a violar as regras. O magistrado destacou que direitos de protesto não são absolutos nem permitem desrespeitar restrições legais.
Contexto e desdobramentos
A Metropolitan Police enfrentou críticas pela forma como geriu a manifestação no centro de Londres, que resultou na detenção de mais de 70 pessoas. Líderes sindicais, MPs e pares defenderam uma investigação independente sobre as táticas de atuação policial.
Os organizadores disseram que a marcha deveria iniciar ou terminar na sede da BBC, em Portland Place, para protestar contra a cobertura do conflito pelo veículo público. A localização já havia sido utilizada sem incidentes, mas as partes alegam que a polícia mudou o acordo sobre o ponto de partida e impôs uma “zona de exclusão sem precedentes”.
A polícia afirmou ter imposto as condições devido ao “impacto cumulativo” sobre a comunidade judaica de Londres, já que a marcha passaria perto de sinagogas. Oficiais argumentaram que houve possível coordenação para violar as restrições estabelecidas. Doações de apoio e cartas críticas foram encaminhadas a autoridades, questionando acusações de entrada forçada de manifestantes, com vídeos sugerindo passagem autorizada por policiais em alguns momentos.
Na saída do tribunal, dezenas de manifestantes e apoiadores dos réus acompanhavam a leitura do veredito. Entre eles, ex-líder do Labour, Jeremy Corbyn, e o ex-financeiro-shadow John McDonnell. O caso reabre o debate sobre equilíbrio entre direito de protesto e segurança pública em Londres.
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