- Charlotte Nichols revelou, na Câmara dos Comuns, ter sido estuprada após um evento oficial e aguardou mil oitenta e oito dias para o caso ir a julgamento.
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- Ela abriu mão do anonimato para falar sobre a experiência e se opõr à proposta de lei que reduziria o uso de júri em alguns casos.
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- A deputada afirmou que o crime a deixou com transtorno de estresse pós-traumático, o réu foi absolvido no processo criminal, mas houve uma ordem de indenização no civil.
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- Nichols pediu foco em tribunais especializados para casos de estupro e criticou o uso de vítimas como instrumento político, citando a sobrecarga do sistema.
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- A deputada Stella Creasy elogiou a coragem de Nichols e disse apoiar as reformas, que incluem criação de tribunais especializados, audiências apenas com juízes em determinados crimes e retirada do direito automático de apelação nos julgamentos com júri.
A deputada Charlotte Nichols declarou na Câmara dos Comuns que foi vítima de estupro após um evento ao qual compareceu como parlamentar. Ela revelou ter aguardado 1.088 dias até o caso ir a julgamento, em meio a ataques nas redes sociais.
Nichols abriu mão do direito à anonimidade para discutir sua experiência e se posicionar contra o projeto de lei que propõe mudanças nos júris em Inglaterra e no País de Gales. Ela disse sentir PTSD decorrente do crime e da longa espera.
A parlamentar afirmou ainda que a violência vivida e o escrutínio público agravaram o impacto mental. O agressor foi absolvido no processo criminal, mas houve uma ordem de indenização após um procedimento civil reconhecendo-a como vítima inocente.
A deputada criticou o uso de vítimas de violência sexual como justificativa para mudanças no sistema, afirmando que o foco deve incluir a criação de tribunais especializados para casos de estupro, em vez de acelerar reformas em júris.
Medidas em debate
O projeto em discussão, no seu segundo turno, propõe a criação de um novo tribunal criminal, audiências apenas com magistrados para crimes com pena máxima de dois anos e julgamento por juiz em fraudes complexas. Também prevê acabar com o direito automático de apelação nos juízos de magistrados.
Stella Creasy, deputada do Labour por Walthamstow, elogiou Nichols pela coragem ao falar na sequência de seu relato. A parlamentar expressou apoio público à vítima e afirmou estar ao lado dela e de outras pessoas até que haja justiça.
Nichols ressaltou a necessidade de salvaguardas maiores para quem presta depoimento e defendeu uma reformulação de termos legais para tratar o depoimento como parte essencial do processo, não apenas como testemunha.
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