- Motta trabalha para honrar acordo com Odair Cunha (PT-MG) visando indicação ao Tribunal de Contas da União (TCU) em troca de apoio à presidência da Câmara. A vaga aparece com a aposentadoria de Aroldo Cedraz no fim de fevereiro.
- Odair Cunha já havia sido indicado ao TCU em 2024 como parte do acordo com Motta; a ministra Gleisi Hoffmann também participou da negociação na época.
- Centrão pode lançar candidatos próprios, com Hugo Leal (PSD-RJ) buscando votos individualizados; União Brasil avalia lançar Elmar Nascimento (BA) ou Danilo Forte (CE); decisão deve sair em 23 de fevereiro.
- A oposição também busca candidatura própria ao TCU, com o vice-presidente da Câmara, Altineu Cortes (PL-RJ), articulando seu nome; Cabo Gilberto (PL-PB) afirma que o PT não tem compromisso com a vaga.
- A votação é secreta, o que pode favorecer alianças e “traídas” entre parlamentares; há expectativa de decisão entre fim de fevereiro e início de março.
Em meio a um cenário de articulações difíceis, a eleição para a vaga no Tribunal de Contas da União (TCU) ganha contornos de definição estratégica para o governo e o parlamento. A aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz, prevista para o fim de fevereiro, abre espaço na Corte de Contas. A vaga estava prometida ao deputado Odair Cunha (PT-MG) em troca do apoio do PT à candidatura de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara. O acordo envolveu Cunha e Gleisi Hoffmann, então presidente do PT.
A disputa pela indicação ao TCU ocorre em meio a tensões entre governo e oposição. O Centrão já sinalizou candidatura própria para a vaga, com Hugo Leal (PSD-RJ) liderando uma linha de angariar votos individualmente. O União Brasil também avalia lançar nomes como Elmar Nascimento (BA) e Danilo Forte (CE). A bancada deve definir a lista final até o fim de fevereiro.
A oposição observa possibilidade de candidatura própria, com o vice-presidente da Câmara, Altineu Cortes (PL-RJ), cogitado nos bastidores. O líder da oposição, Cabo Gilberto (PL-PB), negou acordo com Motta e reiterou que a prioridade do bloco é definir seus próprios candidatos. A votação é secreta, o que aumenta o risco de alianças informais entre saberes partidários distintos.
Segundo fontes próximas aos candidatos, há a expectativa de atuação de Motta para pautar a eleição no momento mais favorable para cumprir o acordo firmado com Odair Cunha. Petistas apontam que Cunha tem apoio de várias siglas, incluindo MDB, PP e Republicanos, com possibilidade de ampliar o grupo com PSDB, Cidadania e Podemos. Odair é visto como candidato da casa, não apenas alinhado ao governo.
O processo de escolha envolve também uma segunda vaga no TCU, ligada à possível saída antecipada do ministro Augusto Nardes. A idade limite para permanência seria atingida em 2027, mas deputados citam a chance de Nardes deixar o cargo até março para concorrer às eleições de outubro. A formalização de qualquer acordo depende da atuação de Motta como articulador da pauta.
Analistas ressaltam que, neste momento, a vaga ainda não está definida formalmente, e as negociações seguem em andamento. O acordo entre partidos envolve não apenas nomes, mas o timing das indicações e a perspectiva de alianças entre siglas que costumam manter posições distintas. A Câmara analisa o papel do TCU na fiscalização de contas da União, sem subordinação direta ao Legislativo.
O TCU mantém funções de controle e auditoria das contas da Presidência da República e de entidades da administração federal. O cargo de ministro do TCU é vitalício, similar ao de magistrado, reforçando o peso político da indicação. A bancada promete acompanhar as tratativas com cautela, buscando transparência e respeitando os trâmites institucionais.
Entre na conversa da comunidade