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Por que Florianópolis tem a tarifa de ônibus mais cara do Brasil?

Florianópolis tem tarifa de 7,70 reais e subsídios de 11 milhões por mês; planilha de custos dos anos oitenta está desatualizada e sustenta preços elevados

Foto: Divulgação/Prefeitura de Florianópolis
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  • Em 2026, Florianópolis tem a tarifa de ônibus mais cara do Brasil, em 7,70 reais.
  • A prefeitura subsidia as empresas do transporte em 11 milhões de reais por mês; em 2025, a receita das operadoras foi de 25 milhões mensais, quase 40% do valor da tarifa.
  • Em 2024, Florianópolis gastou 118 milhões de reais em subsídios, mais do que os 90 milhões destinados pelos nove principais municípios de Santa Catarina somados.
  • A explicação de que a pandemia explica o preço alto é contestada: a prática usa o Índice de Passageiros por Km (IPK) calculado por uma planilha de custos de 1980, desatualizada, o que eleva tarifas mesmo com queda de passageiros.
  • O cenário envolve transparência insuficiente, pouca fiscalização e o surgimento de tarifas zero em cem municípios; há tramitação no Congresso do Marco Regulatório do Transporte Coletivo para viabilizar esse modelo.

Florianópolis (-SC) passou a ter, em 2026, a tarifa de ônibus mais cara do Brasil: 7,70 reais. O aumento está ligado ao subsídio mensal pago pela prefeitura às empresas de transporte, que chega a 11 milhões de reais. A gestão municipal sustenta que a pandemia ainda pesa sobre a demanda, justificando parte do valor.

Em 2025, a receita mensal das empresas foi de 25 milhões de reais, correspondendo a quase 40% do preço da passagem. Em 2024, Florianópolis gastou 118 milhões de reais em subsídios, ante 90 milhões somados pelos nove principais municípios de Santa Catarina.

O modelo de cálculo adotado para as tarifas envolve o Índice de Passageiros por Km (IPK), que usa o custo operacional dividido pela quantidade de passageiros transportados por quilômetro. A planilha de custos, criada na década de 1980, não teve atualizações periódicas, o que influencia o valor da tarifa.

Metodologia de custos e impactos

A planilha de GEIPOT traz parâmetros de insumos como combustíveis, peças e pessoal, que somam mais da metade do custo total. Em 1980, os ônibus tinham motores de primeira geração, hoje são tecnológicos e mais econômicos. O peso do item pessoal caiu com a redução de cobradores.

Apesar da queda de passageiros, a tarifa não acompanhou as mudanças dos insumos. A cobrança mantém parâmetros antigos, e o custo atualizado não reflete a prática de hoje. O resultado é uma tarifa elevada para o usuário, com subsídios cobrindo a diferença.

Além disso, há críticas à transparência dos custos operacionais. Conselhos de transporte, câmaras municipais e tribunais de contas enfrentam limitações de fiscalização. O Ministério Público também é apontado como omisso em alguns casos, o que favorece a percepção de descontrole.

Panorama nacional

A elevação de tarifas ocorre em várias cidades, com cerca de 140 municípios adotando tarifa zero em segmentos de transporte, por vezes sem legislação federal específica. As mudanças nacionais pressionam o Legislativo a avançar em propostas como o Marco Regulatório do Transporte Coletivo.

Esse conjunto de fatores amplia o debate sobre o financiamento do transporte público e o papel dos entes federativos. A tributação, a gestão de custos e a responsabilidade pela tarifa afetam a vida de milhões de pessoas em todo o país.

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