- Lula defende que a mudança na escala 6×1 seja construída por meio de negociações intermediadas por entidades sindicais, anunciada na II Conferência Nacional do Trabalho em São Paulo.
- O presidente afirmou que é melhor negociar para evitar imposição, prevendo milhares de greves e processos na Justiça caso haja uma mudança única aprovada no Congresso.
- A proposta acompanha medidas do governo que deram mais poder aos sindicatos em outros temas, como regras para trabalho em feriados.
- Especialistas lembram que acordos coletivos podem ajustar a jornada às realidades de cada setor, mas há desafios em setores que demandam funcionamento contínuo.
- Setores produtivos veem a negociação coletiva como solução menos ruim frente a uma regra única, com manifesto de mais de 100 entidades defendendo debate responsável sobre o tema.
O presidente Lula defendeu ampliar o papel dos sindicatos nas negociações sobre a possível redução da escala 6×1. Em julho, durante a II Conferência Nacional do Trabalho em São Paulo, ele afirmou que mudanças na jornada devem nascer de negociações intermediadas por entidades sindicais. A ideia é evitar processos judiciais e ampliar a participação dos atores envolvidos.
Lula afirmou que, com um projeto único no Congresso, haveria risco de centenas de milhares de greves e milhões de ações na Justiça do Trabalho. O objetivo é colocar as propostas na mesa de negociação, segundo o presidente, para buscar soluções pactuadas.
A proposta acompanha uma medida recente do governo que ampliou o protagonismo dos sindicatos ao definir regras para trabalho em feriados. A ideia é facilitar a aprovação da redução da jornada, prioridade do governo neste ano eleitoral, segundo fontes oficiais.
Especialistas ponderam que a negociação coletiva pode ajustar a jornada às realidades de cada setor. Juliana Mendonça destaca que acordos entre sindicatos e empresas podem produzir soluções mais flexíveis e adequadas ao ritmo produtivo.
No entanto, setores que dependem de funcionamento contínuo, como comércio, saúde e logística, enfrentam desafios de uniformidade. Advogada diz que a conciliação entre proteção ao trabalhador, segurança jurídica e sustentabilidade econômica é essencial.
Reforma trabalhista de 2017 enfraqueceu parcialmente a atuação sindical, ao permitir acordos individuais em algumas matérias e reduzir a contribuição obrigatória. Esses fatores são citados como entraves à disputas mais amplas por mudanças na jornada.
Para o setor produtivo, a negociação coletiva é vista como o “mal menor” ante a possibilidade de uma regra nacional única. Em fevereiro, mais de 100 entidades defenderam um debate responsável sobre o tema, enfatizando diferenças entre setores.
A Federação das Indústrias do Paraná sustenta que mudanças rápidas sem considerar a diversidade industrial podem elevar custos, reduzir competitividade e impactar empregos. A entidade destaca a importância de soluções negociadas para modernizar relações de trabalho.
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