- Mais de dois mil funcionários do ABC realizaram uma greve de 24 horas, afetando a programação de TV, rádio e digital; boletins retornaram a partir das 11h de quinta-feira e a ABC News 24 continuou com conteúdo mais antigo.
- O diretor-geral Hugh Marks classificou a ação como “um jogo” e disse que a audiência deve vir em primeiro lugar, o que levou a críticas de sindicalistas como sendo ofensivo.
- O MEAA e o CPSU afirmam que as declarações desrespeitam os trabalhadores que buscam acordos para manter a qualidade do jornalismo, cobrando retratação imediata.
- Os trabalhadores reivindicam aumento salarial acima da inflação, melhores condições de trabalho, fim de contratos rotativos e uso de inteligência artificial na substituição de jornalistas; a oferta de dez por cento em três anos foi considerada insuficiente.
- A ABC protocolou pedido de auxílio à Fair Work Commission para ajudar a resolver o impasse; a primeira audiência está marcada para 30 de março.
O que aconteceu: durante uma greve de 24 horas, mais de 2.000 funcionários da ABC cruzaram os braços, impactando a programação de TV, rádio e digital. As unidades recorreram ao BBC World Service e a reprises locais para manter o conteúdo.
Quem está envolvido e quando: o movimento foi organizado pelos sindicatos MEAA (jornalistas) e CPSU (profissionais de tecnologia e controle). A paralisação ocorreu na quarta-feira e terminou às 11h de quinta-feira, com a retomada gradual das reportagens e boletins.
Onde e por quê: o abalo atingiu a sede da ABC e suas afiliadas, em meio a disputas sobre remuneração, condições de trabalho e o uso de contratos temporários. As reivindicações apontam para uma oferta de aumento salarial de 10% em três anos, além de questões de progressão na carreira e condições noturnas.
Reações e desdobramentos
O gerente-executivo Hugh Marks criticou as ações de greve, descrevendo ações protegidas como inadequadas e afirmando que o público deve ficar em primeiro lugar. Alega que custos com pessoal representam cerca de 60% do orçamento e que aumentos poderiam levar a cortes de empregos. Negou que a proposta fosse inferior à inflação, destacando um complemento de 1.000 dólares.
Michael Slezak, jornalista e co-presidente do MEAA, chamou as declarações de ofensivas e ressaltou que há meses de negociação para chegar a um acordo que garanta jornalismo independente e de qualidade. Slezak afirmou ainda que acreditar que a imprensa prejudicaria o público é inaceitável.
A ABC informou ter apresentado uma ação à Fair Work Commission para ajuda na mediação. A primeira audiência está marcada para segunda-feira, 30 de março, com expectativas de avanços no diálogo entre as partes.
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