- A Folha de S. Paulo publicou que brasileiro trabalha menos que a média mundial, com base em levantamento do FGV Ibre em dados globais.
- Em 2022 e 2023, a média global foi de 42,7 horas semanais; o Brasil destinou 40,1 horas, contando empregos formais e informais.
- Em comparação com 86 países, o Brasil ficou em 38º lugar em horas trabalhadas; ao ajustar por produtividade e demografia, cai para 60º.
- O debate sobre a redução da jornada 6×1 ganhou espaço no Congresso, aguardando indicação de relator na Comissão de Constituição e Justiça para tramitar.
- Existem vozes críticas do empresariado e estudos do Ipea mostram custos variáveis por setor; especialistas ressaltam a importância de reorganização produtiva e ganhos de produtividade.
Em meio ao debate sobre a regulamentação da escala 6×1, o tema ganhou espaço no Congresso. A proposta de reduzir a jornada está sendo analisada na Comissão de Constituição e Justiça, com indicação de relator ainda pendente. Sindicatos, empresários e governo acompanham o tema.
A cobertura ganhou relevância após a imprensa destacar dados sobre horas trabalhadas. Um estudo do economista Daniel Duque, do FGV Ibre, utiliza um banco global com 160 países. A leitura apresentada sugere que o Brasil estaria “descendo a serra” antes de aumentar renda.
Segundo a análise, a média global de horas trabalhadas foi de 42,7 por semana entre 2022 e 2023. O Brasil, levando em conta empregos formais e informais, apareceria com 40,1 horas semanais. O país fica na 38ª posição entre 86 nação comparadas por esse indicador.
Ao aplicar ajustes por produtividade e demografia, o Brasil cai para o 60º lugar no ranking de esforço. A leitura sugere que o Brasil deveria mirar a régua de países com mais horas de trabalho, em vez de se alinhar aos que reduziram jornadas.
Vereador do PSOL, Rick Azevedo questionou publicamente a leitura apresentada pela Folha de S. Paulo. Ele argumenta que a comparação desconsidera informalidade, horas extras não remuneradas e deslocamentos diários, o que afeta a realidade do trabalhador.
Enquanto a imprensa apresenta dados, setores organizados respondem com ressalvas. A CNT, ligada ao transporte, defende cautela e critica votações rápidas, alegando motivação eleitoral. Em bares e restaurantes, estima-se custo adicional para contratar trabalhadores extra.
No dia seguinte, a Folha de S. Paulo publicou um artigo técnico com estimativas do Ipea sobre impactos da redução da jornada. O estudo aponta aumento médio de custos por hora trabalhada, com variações entre setores e menor efeito sobre o gasto total das empresas.
O texto ressalta que os efeitos dependem de reorganização produtiva, ritmo de implementação e ganhos de produtividade. A literatura internacional não chega a consenso sobre a relação direta entre menos horas e pior desempenho econômico.
Do lado patronal, a Fiemg apresenta cenários mais pessimistas, estimando possível perda de até 16 milhões de empregos e queda de até 16% do PIB caso não haja ganhos de produtividade. Analistas destacam que o debate envolve diversas variáveis.
Durante debate na Band Minas, especialistas concordaram que reduzir a jornada não é suficiente por si só para aumentar produtividade. Foi ressaltado que investimentos em tecnologia e formação podem influenciar resultados.
Entre na conversa da comunidade