- Estudo de dois anos aponta que a queda de vagas remotas, incluindo para pessoas com deficiência, pode comprometer as ações do governo para reduzir o desemprego.
- Dados da Adzuna mostram redução de vagas totalmente remotas em 2024-25, com 4,3% de anúncios nesse formato, pela metade do pico de 8,7% em 2020-21; vagas híbridas avançaram pouco, a 13,5%.
- A pesquisa com mais de 1.200 pessoas com deficiência revela que oito em cada dez consideram o acesso ao home office essencial ou muito importante na busca por emprego, e 46% querem trabalhar remotamente o tempo todo.
- O desemprego entre pessoas com deficiência ficou em 9,2% no trimestre até dezembro, com 547 mil desempregados, alta de 110 mil desde o mesmo período de 2024.
- O estudo destaca que, embora o remoto e o híbrido tragam benefícios de saúde e produtividade, a queda de vagas remotas pode impedir que trabalhadores com deficiência encontrem ou permaneçam no mercado de trabalho.
Um estudo de dois anos aponta que a queda no número de vagas para trabalho remoto pode comprometer os esforços do governo para reduzir o desemprego entre pessoas com deficiência. O trabalho é coordenado pela Work Foundation, ligada à Lancaster University, com participação da Manchester Metropolitan University.
Mais de oito em cada dez respondentes entre pessoas com deficiência em idade de trabalhar disseram considerar o acesso ao home office essencial ou muito importante ao buscar um emprego. Quase metade (46%) dos participantes quer trabalhar remotamente o tempo todo, com mulheres e cuidadores com deficiência mais propensos a preferir o home office total.
O estudo, intitulado Inclusive Remote and Hybrid Working, analisa dados de vagas da Adzuna e mostra queda nas oportunidades remotas. No ano fiscal de 2024-25, apenas 4,3% das ofertas eram totalmente remotas, metade do patamar observado no pico da pandemia (8,7% em 2020-21). O crescimento de vagas híbridas parece ter estagnado, com 13,5% das vagas em 2024-25 oferecendo esse modelo.
A pesquisa acompanha dados oficiais divulgados nesta semana, que mostraram que, no trimestre encerrado em dezembro, 9,2% dos desempregados tinham deficiência, ante 4,4% em média. A ONS aponta 547 mil desempregados com deficiência, alta de 110 mil em relação ao mesmo período de 2024.
Entre os participantes, 64% de trabalhadores com deficiência em regime 100% remoto afirmaram que o formato impactou positivamente a saúde física, contra 31% entre quem trabalha remotamente menos de metade do tempo. O estudo também identificou demanda pelo híbrido: 25% querem trabalhar quatro dias em casa e 27% três dias ou menos.
Um dos relatos traz Vera, jovem que trabalha para uma empresa de saúde em Londres. Ela permanece em home office após tratamento para esclerose múltipla e não voltou a funções presenciais. Ela diz que o trabalho remoto facilita manter a produtividade e gerenciar fadiga, mas sente-se limitadas pelas poucas vagas remotas disponíveis.
Pesquisas associadas, como a realizada pela MS Society, indicam que quase metade das pessoas com esclerose múltipla busca locais de trabalho com deslocamento reduzido. A líder da equipe do estudo, Paula Holland, aponta que a disponibilidade de opções remotas melhoria a experiência de trabalho, porém a volta obrigatória ao escritório pode excluir trabalhadores com deficiência.
O relatório cita um parecer do House of Lords, que recomenda que o governo priorize modalidades remotas e híbridas para ampliar a empregabilidade de pessoas com deficiência. O objetivo é evitar a exclusão de trabalhadores qualificados diante de mudanças nas políticas corporativas de retorno ao escritório.
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