- Sindicatos dos EUA estão arrecadando fundos e oferecendo ajuda mútua a trabalhadores afetados pela atual ofensiva do ICE, incluindo um caso em Salem, Oregon, em que quase US$ 20 mil foram levantados para uma trabalhadora de cuidados domiciliares atacada em 29 de janeiro.
- A Minneapolis Regional Labor Federation já arrecadou mais de US$ 126 mil para apoiar trabalhadores com assistência jurídica, inclusive para audiências de asilo.
- O Unite Here Local 17, em Minnesota, levantou mais de US$ 147 mil para mais de 200 membros e famílias, oferecendo alimentação, aluguel e outras formas de auxílio.
- Autoridades locais apontam impacto econômico das operações do ICE, com a cidade de Minneapolis estimando perdas semanais de US$ 10 milhões a US$ 20 milhões em vendas.
- O Departamento de Segurança Interna afirma não ter confirmado o incidente específico envolvendo a cidadã, ressaltando que pedidos de asilo não impedem ações de fiscalização; defensores destacam riscos de identificação de agentes.
A rede de sindicatos dos EUA está mobilizando recursos para trabalhadores afetados pelo aumento da atuação de autoridades de imigração, com doações e apoio jurídico e financeiro. O foco inicial é uma série de incidentes em Minnesota e em outros estados, envolvendo ações de ICE que geram medo e impactos econômicos.
Em Salem, Oregon, uma funcionária de assistência domiciliar identificada apenas como Maria recebeu quase 20 mil dólares em arrecadação para tratamento médico e apoio jurídico após ser alvo de agentes da ICE em 29 de janeiro. Segundo o SEIU Local 503, Maria é cidadã americana que sofreu agressões, teve o carro cercado, vidro quebrado e foi derrubada no chão, ficando sem atendimento médico imediato.
A organização afirma que o episódio ocorreu após a localização do passaporte de Maria na bolsa, o que não impediu a assistência posterior aos ferimentos leves, incluindo concussão e costelas roídas. O sindicato destaca a falta de identificação apresentada pelos agentes como um ponto de vulnerabilidade para cidadãos e imigrantes.
Minneapolis mantém preocupação com a atuação do ICE. A federação regional de trabalhadores (AFL-CIO) informou ter arrecadado mais de 126 mil dólares para apoiar trabalhadores em Minnesota com assessoria legal e representação em audiências de asilo. A entidade também presta auxílio mútuo a membros que estão isolados ou não podem sair para trabalhar.
Chelsie Glaubitz Gabiou, presidente da federação, aponta que o perfil de risco aumentou e que ações simples antes se resumiam a manter o status migratório. Hoje, há necessidade de suporte para famílias que enfrentam riscos de perfilhamento, com serviços de entrega de mantimentos, transporte e apoio financeiro.
O sindicato Unite Here Local 17, também em Minnesota, criou um fundo de dificuldade para membros afetados pela atuação de ICE e já levantou mais de 147 mil dólares. Os recursos ajudam mais de 200 membros e familiares com itens como alimentação, aluguel e assistência mútua.
As organizações afirmam que grande parte da base sindical é composta por mulheres, imigrantes e pessoas de cor, e que Minnesota enfrenta impactos econômicos ainda com a redução de atividade local provocada pela presença das operações.
Localidades em Minnesota relatam queda na atividade econômica, com estimativas iniciais de perda de 10 milhões a 20 milhões de dólares em vendas por semana em negócios de origem imigrante. Autoridades locais não atribuem as perdas diretamente às ações federais.
Em meio aos fundos, o DHS sustenta que não houve confirmação de perfil racial nas operações, reforçando que buscas podem ocorrer com base em suspeita razoável. A pasta também afirma que pedidos de asilo não impedem ações de imigração, o que tem sido motivo de debate entre organizações e trabalhadores.
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