- Profissionais de áreas técnicas e administrativas estão migrando para ofícios mais tradicionais à medida que a IA substitui parte do trabalho, provocando mudanças de carreira e renda.
- Jacqueline Bowman, escritora de Califórnia, decidiu estudar para ser terapeuta conjugal após ver queda de demanda e pressões sobre uso de IA no trabalho.
- Janet Feenstra, editora acadêmica em Malmö, suécia, tornou‑se padeira; afirma ter menos salário, mais deslocamento e trabalha de forma mais física, porém com satisfação pessoal.
- Em relatos na região, especialistas apontam que ocupações manuais são mais resistentes à automação, com aumento de cursos técnicos e maior interesse por formação prática.
- Jovens e adultos descrevem trajetórias diversas, buscando profissões menos suscetíveis a IA, como instalação elétrica ou serviço de alimentação, diante de mudanças no mercado de trabalho.
O que aconteceu: uma onda de mudanças no mercado de trabalho impulsionada pela inteligência artificial leva profissionais de cargos formais a migrarem para profissões mais tradicionais. Casos em diferentes países ilustram o deslocamento, com impacto em salários e satisfação.
Quem está envolvido: profissionais de áreas diversas, entre eles Jacqueline Bowman, editora de Califórnia que mudou de escrita para estudo de terapia; Janet Feenstra, editora acadêmica que virou padeira em Malmö; e Richard, profissional de saúde ocupacional que se tornou engenheiro elétrico no Reino Unido. Além disso, especialistas e órgãos de pesquisa acompanham o movimento.
Quando e onde: Bowen foi impactada a partir de 2024, com mudanças concretas até janeiro de 2025. Feenstra, em Malmö, iniciou a transição após observar uso de AI na universidade. Estudos na Inglaterra e no Reino Unido desde 2023-2025 também apontam tendências de maior exposição de ocupações profissionais à IA.
Por quê: trabalhadores buscam maior segurança financeira diante de demissões, automação de tarefas repetitivas e uso de IA na produção de conteúdos. Em alguns casos, o objetivo é reduzir dependência de tecnologia, em outros, abrir caminho para profissões percebidas como menos suscetíveis à automação.
Mudanças significativas no mercado de trabalho
Bowman relata que a edição de conteúdos gerados por IA exigia checagem minuciosa de fatos, muitas vezes com resultados imprecisos, o que elevou o tempo investido e reduziu remuneração. Ela começou a estudar para se tornar terapeuta conjugal, buscando estabilidade.
Feenstra afirma ter trocado a carreira de editora por uma formação em culinária. O objetivo foi garantir segurança financeira e menos exposição a automação, mesmo diante de salários menores e mudanças de rotina. Hoje trabalha em uma padaria, com desafios de adaptação e moradia.
Richard, por sua vez, observou que a automação pode tornar certas funções menos necessárias. Ele retrainou-se para engenharia elétrica, mantendo o foco na segurança, mas reconhece cortes salariais e maior exigência física. Acredita que áreas com maior destreza manual tendem a resistir mais à automação.
Perspectivas e contextos regionais
Especialistas alertam que o impacto varia por região e setor. Estudos na Inglaterra indicam que ocupações profissionais podem ficar mais expostas a IA, especialmente em funções administrativas e de gestão. Pesquisadores destacam que, embora haja risco, também surgem novas oportunidades.
Programas de formação vocacional ganham impulso em várias regiões, com demanda crescente por qualificações em engenharia, culinária e cuidado infantil. Para muitos, a transição envolve retrabalho e financiamento de estudos, conforme relatos de profissionais que migraram para áreas técnicas.
Caminhos futuros
Analistas apontam que a habilidade de trabalhar com IA pode se tornar um diferencial de mercado. Empreendedores planejam oferecer consultoria em IA, buscando criar novas funções que combinem automação e atuação humana. Enquanto isso, profissionais já em atuação avaliam estratégias para manter a empregabilidade.
O retrabalho em profissões com maior contato humano e necessidade de dexteridade ainda é visto como mais resistente. Estudos em curso devem esclarecer como o cenário evoluirá nos próximos anos e quais setores serão mais impactados pela IA.
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