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Regulamentação de apps divide entregadores; críticas ao projeto do Boulos

PLP 152 aumenta o racha entre entregadores e plataformas, com resistência do governo e expectativa de votação em março

Entregadores acusam Guilherme Boulos, ministro de Lula, de instrumentalizar lideranças para fins eleitorais (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
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  • O PLP 152/2025, capaz de regulamentar o trabalho por aplicativos, ficou alvo de resistência de plataformas, entregadores e do governo, abrindo um racha entre os interessados.
  • O texto prevê remuneração mínima de R$ 8,50 por pedido, além de incluir, em parte, benefícios da CLT, como adicional noturno, pagamento em feriados, férias e contribuição ao INSS.
  • Críticos apontam que o projeto favorece as empresas e não garante jornadas, vínculos estáveis ou garantias reais aos trabalhadores, gerando críticas a Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência.
  • Dentro do movimento, houve descontentamento com a condução de Boulos pela Aliança Nacional dos Entregadores por Aplicativo (Anea) e surgimento do Comando dos Entregadores, que diz não se sentir representado pela Anea.
  • O relator informou que o PLP 152 pode ser levado a voto na primeira quinzena de março, apesar das críticas de entidades empresariais de que o texto aumenta a insegurança jurídica e altera o modelo de intermediação digital.

O Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/2025, elaborado por um grupo de trabalho do governo, propõe regulamentar o trabalho por aplicativos. O texto gerou resistência de plataformas, entregadores e entidades representativas, ampliando o racha entre setores envolvidos. A ideia é estabelecer remuneração mínima, benefícios da CLT e contribuição ao INSS.

Durante encontros com o presidente Lula, lideranças do Congresso e representantes de empresas, o tema ganhou destaque, mas o projeto passou a ser visto como arriscado para políticas públicas e para o setor de entregas. A proposta mantém o objetivo de regulamentar, mas é alvo de críticas sobre efeitos econômicos e jurídicos.

Entregadores dizem que a negociação ficou centrada em lideranças de uma associação específica, alimentando descontentamento entre diferentes frentes do movimento. Anea, entidade presente nas tratativas, é apontada por críticos como protagonista de um acordo que não representa toda a categoria.

Rubrica de insatisfação interna

Dissidentes da Anea passaram a integrar o Comando dos Entregadores, que afirma não ser ouvido no debate. A attrição interna reforça a percepção de que o texto não contempla, de modo direto, demandas de jornada, vínculo e remuneração.

Ao mesmo tempo, o texto do PLP 152 foi visto por opositores como avanços que podem criar jornadas exaustivas, apesar de não prever vínculo direto de emprego. Outro projeto defendido é o PL 2479/2025, chamado de “PL do Breque”, que nasceu da mobilização das ruas.

Agenda legislativa

O relator Augusto Coutinho afirma que o PLP 152 agrada governo e trabalhadores, enquanto o presidente da Câmara, Hugo Motta, pretende pautar a votação até a primeira quinzena de março. Entidades empresariais entregaram manifesto com críticas ao que chamam de insegurança jurídica.

No manifesto, as entidades afirmam que a lei proposta parece alterar de forma estrutural o modelo de intermediação digital, aproximando regras de CLT e ampliando insegurança jurídica. Motta diz que haverá diálogo para construir uma versão equilibrada.

Ponto de vista das lideranças

O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, é alvo de críticas de alguns ativistas, que afirmam ter sido instrumentalizado por lideranças para apoiar um projeto com menos garantias. Ele não comentou o caso oficialmente através da assessoria.

A defesa do diálogo institucional é mantida pela Anea, que sustenta a necessidade de interlocução direta com governo e Congresso. O governo não divulgou detalhes adicionais sobre o andamento das negociações.

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