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Moderadores de conteúdo se organizam contra as Big Tech

Aliança global de sindicatos de moderadores de conteúdo é anunciada em Nairóbi para pressionar Big Tech por salários justos, saúde mental e representação

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  • Moderadores de conteúdo que avaliam material nocivo criaram a Aliança Global de Sindicatos de Moderadores de Conteúdo (GTUACM) em Nairobi, para pressionar as Big Tech por melhores condições de trabalho.
  • O grupo aponta salários baixos, traumas e ausência de representação sindical como problemas recorrentes, e busca negociação global com as empresas.
  • Sindicatos de Gana, Kenya, Turquia, Polônia, Colômbia, Portugal, Marrocos, Tunísia e Filipinas já formam a aliança; Irlanda e Alemanha devem ingressar em breve; EUA mantêm participação por meio de redes de parceiros.
  • Trabalhadores relatam impactos mentais graves, como depressão e transtorno de estresse pós-traumático, além de contratos precários e medo de punição por falar sobre as condições.
  • Organizações sindicais, como a UNI Global Union, dizem que as empresas devem assegurar salários justos, contratos estáveis e suporte de saúde mental durante o expediente.

O grupo Global Trade Union Alliance of Content Moderators (GTUACM) anunciou a formação de uma aliança sindical global para moderadores de conteúdo de plataformas digitais. O anúncio ocorreu em Nairobi, no Quênia, e a finalidade é intensificar a cobrança por condições de trabalho mais justas.

Segundo a GTUACM, moderadores contratados por grandes empresas, como Meta, ByteDance e Alphabet, atuam com contratos precários e são expostos a conteúdos extremados, o que impacta a saúde mental. A organização pretende criar uma plataforma global de negociação e pesquisa em saúde ocupacional.

O objetivo é que as negociações ocorram por meio de sindicatos nacionais que integram a aliança, com atuação já confirmada em Gana, Quênia, Turquia, Polônia, Colômbia, Portugal, Marrocos, Tunísia e Filipinas. Outros países, como Irlanda e Alemanha, devem aderir.

Atores e contexto

Michał Szmagaj, ex-moderador da Meta que auxilia a organização na Polônia, aponta pressões de contratos precários, vigilância constante e metas de desempenho como fatores de estresse. A GTUACM ressalta a necessidade de emprego estável, tratamento digno e apoio à saúde mental durante o expediente.

A aliança também busca responsabilizar as grandes empresas por práticas de terceirização que, segundo defensores, diluem a responsabilidade sobre padrões de segurança e bem-estar. A meta é consolidar campanhas coletivas e ampliar a pesquisa sobre condições de trabalho no setor.

Situação atual e casos relacionados

A formação ocorre em meio a ações legais envolvendo empresas de tecnologia. Moderadores que atuam para Meta, TikTok e outras plataformas já têm ações judiciais relacionadas a danos psicológicos e condições de trabalho, com casos registrados na Ghana e no Kenya. Grupos que atuam para TikTok também enfrentam litígios sobre demissões ligadas a tentativas de sindicalização.

Representantes de sindicatos ligados à UNI Global Union destacam que a participação de sindicatos norte-americanos pode evoluir mesmo sem presença direta no evento, mantendo coordenação com entidades como a CWA para cobrar justiça na cadeia de suprimentos de Big Tech.

Reações e próximos passos

Autoridades sindicais locais, como a União de Trabalhadores de Comunicações do Quênia, enfatizam que o setor de moderação em Nairobi precisa de investimentos, desde que não prejudiquem a saúde dos trabalhadores. A GTUACM afirmou que continuará o movimento, buscando adesões adicionais e ações coordenadas com as empresas mencionadas.

A reportagem contatou Meta, TikTok e Google para comentários sobre a formação do GTUACM. Em declarações anteriores, líderes sindicais internacionais ressaltam que condições de trabalho justas e contratos estáveis são essenciais para reduzir danos à saúde mental dos moderadores.

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