- 252 venezuelanos foram deportados dos Estados Unidos para El Salvador e mantidos no Cecot, onde relatam ter sofrido torturas sistemáticas e abusos físicos e psicológicos.
- Em julho, eles receberam a libertação em um acordo diplomático entre Venezuela e Estados Unidos e voltaram para a Venezuela para reencontrar as famílias.
- Ao retornar, descrevem mistura de alegria e surpresa diante de mudanças em suas vidas, além de memória constante dos abusos vividos e dificuldades para se reintegrar.
- Muitos enfrentam problemas econômicos na Venezuela, além do estigma ligado a tatuagens que foram associadas a gangues, dificultando a busca por trabalho.
- Mesmo após o retorno, mantêm vínculos com os companheiros de detenção e esperam usar a experiência para apoiar causas relacionadas a direitos humanos e à comunidade LGBTQ+.
Andry Hernández Romero isola-se entre lembranças dolorosas e o desejo de normalidade após retornar à Venezuela. Em El Salvador, ele e mais 251 compatriotas foram detidos sem aviso prévio, acusados pela administração de Donald Trump de pertencer a uma facção transnacional.
Depois de meses de abusos reportados em Cecot, o grupo foi libertado em julho, em um acordo diplomático entre EUA e Venezuela. Ao retornar, encontraram famílias, mas carregam traumas profundos que afetam a vida cotidiana.
Em Veneza, Hernández Romero, de 32 anos, participa de tradições de Ano Novo com amigos e familiares. A queima do muñeco gigante, símbolo de purificar o que ficou para trás, marca uma tentativa de retomar a normalidade.
Entre os demais libertados, há relatos de violência física, violência psicológica e abuso sexual nas prisões. Pacientes com problemas de saúde agravados, privação de cuidado médico e isolamento em celas conhecidas como La Isla foram descritos por vítimas.
Pelos relatos, alguns retornaram à atividade profissional e familiar, porém com dificuldades de reinserção. Jovens que antes atuavam em áreas como carpintaria, mecânica e artes, hoje enfrentam ansiedade, insônia e flashbacks constantes.
Alguns familiares destacam o impacto econômico e emocional. Muitos voltaram para lares de renda limitada, tentando sustentar familiares com salários baixos e dificuldades de acesso a serviços públicos. O retorno também expõe dilemas sobre identidade e percepção pública.
Organizações de direitos humanos e ativistas acompanharam os casos, destacando a necessidade de apoio psicossocial e medidas de reparação. A análise aponta que a experiência em Cecot, descrita como generalizada, deixou marcas duradouras nos detidos.
A situação reacende o debate sobre políticas migratórias, cooperação internacional e garantias de devido processo. Enquanto aguardam caminhos de assistência, os homens e suas famílias tentam reconstruir rotinas em meio a memórias traumáticas.
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