- Pesquisadores da Nova Zelândia dizem que novos comentários online do atirador de Christchurch foram identificados, sugerindo envolvimento ativo em comunidades da internet antes do ataque.
- O livro He Told Us, de Chris Wilson e Michal Dziwulski, afirma que ele era comentarista regular no 4chan, o que indicaria milícia e excitação crescentes conforme grupos de direita australianos se tornaram mais ousados.
- Os autores conectam posts anônimos no 4chan a viagens do atirador, com referências como “um turista australiano em Kyrgyzstan” e menções a Grafton, NSW, associadas a atitudes racistas e apoio à violência.
- Os trechos apontam que o atacante usou símbolos e mensagens, incluindo “14” e “remove kebab”, que aparecem no manifesto, nos nomes das armas e no material divulgado antes do ataque.
- A pesquisadora tenta provocar uma reavaliação do papel das redes online na radicalização, enquanto autoridades da NZIS ressaltam que ainda é essencial detectar intenção e capacidade de violência.
O estudo de dois pesquisadores da Nova Zelândia aponta que o atacante de Christchurch manteve atividades online além do que foi registrado anteriormente. Segundo o livro, ele era um comentarista ativo em fóruns como 4chan, o que pode ter ajudado a moldar sua militância. A obra levanta a hipótese de que o papel da internet foi subestimado na narrativa oficial.
Os autores Chris Wilson e Michal Dziwulski afirmam que a militância e a excitação do agressor aumentaram à medida que grupos de direita na Austrália se tornaram mais ousados. Eles analisam posts que indicam uma participação regular em espaços de extremismo, o que contrasta com relatórios oficiais anteriores.
O livro, baseado em pesquisa revisada por pares, utiliza cruzamentos de linguagem, geolocalização e dados de viagem para identificar atividades online do atacante. A obra sugere que mensagens em 4chan revelam comentários que defendiam violência e desigualdade racial, incluindo referências a eventos históricos e símbolos de supremacia branca.
O que mudou de perspectiva
A pesquisa vincula trechos de mensagens a locais e trajetos do atacante, incluindo indícios de que ele pode ter participado ativamente de discussões antes do ataque de 15 de março de 2019. Os autores defendem que esse material pode oferecer novas evidências para entender a radicalização.
A equipe destaca que, após o ataque, o histórico de interações dele com grupos de extrema direita no Facebook ganhou maior exposição. Os pesquisadores argumentam que o envolvimento online pode ter funcionado como uma espécie de “membro” dessas comunidades, contribuindo para a formação de uma identidade violenta.
Reação institucional
Autoridades responderam com cautela. O diretor-geral do Serviço de Inteligência de Segurança da Nova Zelândia afirmou que houve transformação considerável desde o ataque, mas reconheceu que há abuso contínuo de retórica de ódio na internet. A investigação permanece centrada em identificar intenções e capacidades de ataque.
Os autores indicam que é necessário reavaliar o caso para compreender plenamente o caminho até a violência. O livro He Told Us já está disponível pelas editoras Allen & Unwin, oferecendo uma leitura detalhada sobre a influência de espaços online na radicalização.
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