- O Papa Leo XIV, em sua primeira encíclica Magnifica Humanitas, alerta que a inteligência artificial representa uma ameaça à humanidade se não for contida.
- Ele compara o desenvolvimento descontrolado da IA a uma Torre de Babel moderna e defende códigos éticos mais rígidos, com estruturas legais independentes e supervisão.
- A carta, com cerca de quarenta e três mil palavras, foca em proteger o humano na era da IA e aborda duas imagens bíblicas: a construção da Torre de Babel e a reconstrução de Jerusalém.
- Leo XIV critica que a desinformação pode ganhar força com IA e que grandes plataformas passam a definir regras de visibilidade, acesso e participação.
- O Papa destaca a importância da cultura autêntica, citando Guernica, de Picasso, como denúncia da desumanização, e cita ações de promoção de arte contemporânea no Vaticano.
Pelo menos de início, o Papa Leo XIV apresentou sua primeira grande doutrina, a encíclica Magnifica Humanitas, publicada em 15 de maio de 2026 no Vaticano. O texto alerta para os riscos da inteligência artificial sem controle e compara a evolução tecnológica a uma Torre de Babel contemporânea, capaz de desestabilizar a sociedade e a moral.
A encíclica é dirigida aos bispos católicos e aborda a necessidade de proteger o humano diante das inovações. O Papa cita a pintura Guernica de Pablo Picasso como exemplo de obra que denuncia a desumanização decorrente de conflitos e de poderes que desumanizam pessoas em nome de uma suposta eficiência.
No documento, o Pontífice ressalta que a desinformação não surgiu com a IA, mas hoje é amplificada por ela, especialmente em conteúdos, imagens e vídeos manipulados. A mensagem enfatiza a importância de mecanismos éticos robustos, supervisão independente e estruturas legais claras para conter abusos.
O Papa chama atenção para a concentração de poder em grandes empresas tecnológicas, destacando que controle de plataformas e dados frequentemente não está nas mãos dos estados. Ele sugere regulação adequada da propriedade de dados e participação social para evitar exclusões.
A carta subdivide-se em cinco capítulos e enfatiza a expressão humana no tempo da IA. Entre passagens bíblicas, o texto contrapõe a construção da Torre de Babel à reconstrução de Jerusalém, diante da tentação de padronizar tudo em uma única linguagem, inclusive digital, que reduz a pessoa a dados e desempenho.
Paralelamente, o Vaticano avança com o seu programa de arte contemporânea. O dicastério de Cultura e Educação anunciou projetos, incluindo uma mostra em frente à Basílica de São Pedro, com artistas britânicos, chineses e suíços já anunciados para 2026 e 2027. A curadoria fica a cargo de um talento associado ao Louvre, fortalecendo a presença cultural da Santa Sé.
Contexto e impacto
A encíclica reforça a relação entre ética, lei e governança em tecnologia, defendendo padrões que vão além de declarações morais. A instituição sustenta que políticas públicas não podem abrir mão de responsabilidade e fiscalização independentes.
Arte e inovação no Vaticano
A agenda de arte contemporânea do Vaticano visa aproximar público e reflexão sobre cultura, tecnologia e humanidade. A importância do diálogo entre arte, ciência e fé é ressaltada pela curadoria e pelos projetos em andamento.
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