- Cemaden enviou ao governo uma nota técnica indicando possível super El Niño, com impactos esperados a partir do segundo semestre deste ano.
- O fenômeno pode ser o mais forte da história moderna, potencialmente superando o evento de 1877/1878, e tende a influenciar o clima global em 2026/2027.
- Regiões com maior risco: Sul deve ter chuvas intensas; Norte e Nordeste, queda drástica de chuvas em verões e outonos de 2027; Amazônia pode enfrentar incêndios e secas hidrológicas, com déficits hídricos em rios como Negro, Xingu e Tocantins-Araguaia.
- A nota apresenta seis ações sugeridas: reforçar monitoramento; garantir funcionamento de radares, pluviômetros e estações hidrológicas; ampliar previsões de multimodelos; reavaliar áreas críticas; fortalecer integração entre União, estados e municípios; conectar alertas aos fluxos da Defesa Civil.
- José Marengo afirma que planejamento imediato de ações preventivas é essencial, destacando a necessidade de coordenação entre órgãos e decisões rápidas.
O Cemaden, Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, emitiu uma nota técnica ao governo Lula sobre a possibilidade de surgir um super El Niño. O documento foi enviado ontem à Casa Civil e ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
A nota aponta aquecimento rápido da superfície do Pacífico, fator gerador do El Niño. Segundo o texto, houve aumento da anomalia de temperatura desde janeiro, que se intensificou nas últimas semanas.
O órgão alerta para o risco de eventos de alto impacto, como inundações massivas, secas severas, ondas de calor e mudanças nas trajetórias de tempestades. Sugere ações imediatas para reduzir danos.
José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Cemaden, afirma que o El Niño já está instalado e que os primeiros impactos podem ocorrer neste inverno, no Sul e Sudeste.
Segundo o documento, o El Niño tem potencial de se tornar o mais forte da história moderna, possivelmente superando o evento de 1877/1878, e pode ser determinante para o clima global em 2026/2027.
Riscos por área
A nota detalha impactos diferenciados por região. No Sul, espera-se aumento de chuvas intensas na primavera de 2026, com atenção ao oeste/noroeste, Centro, Serra Gaúcha e Porto Alegre.
Nas regiões Norte e Nordeste, a tendência é de redução drástica de chuvas no verão e outono de 2027. Na Amazônia, o El Niño eleva o risco de incêndios e de secas hidrológicas prolongadas.
Bacias dos rios Negro, Xingu e Tocantins-Araguaia já apresentam déficits hídricos. A seca pode afetar agricultura familiar pela umidade do solo, especialmente no Noroeste da Norte e em partes do Nordeste.
O fenômeno pode comprometer a estação chuvosa em Centro-Oeste e Sudeste, impactando a recuperação de reservatórios hidrelétricos e elevando temperaturas.
Ações recomendadas
Entre as ações, o Cemaden sugere reforçar monitoramento de acumulados, previsões de chuva e seca, níveis de rios, vazões e umidade do solo. Garantir funcionamento de radares, pluviômetros e sensores.
Ampliar o uso de previsões multimodelos, com cenários de curto, médio e subsazonal. Reavaliar áreas críticas, como encostas, margens de rios e travessias, entre outras.
Fortalecer a integração entre União, estados e municípios, conectando previsão, monitoramento, alerta e resposta. Integrar avisos do Cemaden com INMET e INPE aos fluxos decisórios da Defesa Civil.
José Marengo reforça a necessidade de planejamento imediato de ações preventivas, diante das informações disponíveis. Ele aponta a falha recorrente na coordenação entre ministérios durante desastres.
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