- A enxaqueca é uma doença neurológica que afeta mais de um bilhão de pessoas no mundo e cerca de trinta milhões no Brasil, demandando diagnóstico precoce.
- Thais Villa é neurologista especializada na área e idealizadora do Headache Center Brasil, primeira clínica multiprofissional do país dedicada exclusivamente à enxaqueca.
- Um estudo com setecentos e oitenta pacientes do Headache Center Brasil (agosto de 2020 a abril de 2025) mostrou que 73,6% tinham histórico de cinetose na infância, sugerindo sinais precoces da doença.
- O tratamento é 360º, com atuação de várias especialidades; Botox (toxina botulínica) e medicamentos anticorpos monoclonais anti-CGRP são usados na prevenção.
- Evitar automedicação e gatilhos como certos alimentos estimulantes pode ajudar a reduzir crises; enxaqueca com aura pode aumentar o risco de AVC e de infarto isquêmico por vasoespasmo e alterações na coagulação.
A neurologista Thaís Villa, doutora pela Unifesp e pós-doutora pela UCLA, idealizou a Headache Center Brasil, a primeira clínica multiprofissional do país dedicada exclusivamente ao diagnóstico e tratamento da enxaqueca. O serviço, em São Paulo, funciona com um protocolo 360º que reúne várias especialidades para o cuidado das dores de cabeça.
A doença atinge mais de 1 bilhão de pessoas no mundo e cerca de 30 milhões no Brasil, segundo a OMS. A enxaqueca é crônica, neurológica e hereditária, com impacto significativo na produtividade e qualidade de vida. A clínica nasceu da atuação de Villa no tema durante a residência e a pesquisa acadêmica.
A pesquisadora ressalta que a enxaqueca não é apenas dor de cabeça, mas uma doença que exige tratamento direcionado. Em seu relato, não há relação de parentesco com pessoas acometidas, mas a vocação para estudar o cérebro levou às linhas de pesquisa entre neurologia, sono e aspectos psicossociais.
Sinais que começam na infância
A investigação recente reuniu 780 pacientes com enxaqueca crônica atendidos no Headache Center Brasil entre 2020 e 2025. Entre eles, 73,6% relataram histórico de cinetose na infância, sugerindo distúrbio do equilíbrio como possível sintoma precHe. O estudo aponta evolução para tontura crônica na vida adulta.
Essa relação é apresentada como avanço no diagnóstico precoce, com potencial de reduzir o impacto diário da doença. O estudo foi divulgado no início de setembro durante o 22º Congresso da Sociedade Internacional de Cefaleia, em São Paulo, onde recebeu reconhecimento entre os melhores temas apresentados.
Abordagem terapêutica
O tratamento é multidisciplinar e busca atuar em diversas frentes. Profissionais de neurologia, odontologia, nutrição, fisioterapia e apoio psicológico compõem o núcleo do cuidado. A prática inclui prevenção, manejo de gatilhos e redução de dependência de analgésicos.
Entre as estratégias, destacam-se a toxina botulínica (botox) para prevenção de crises e o uso de anticorpos monoclonais anti-CGRP, com perfil de tolerabilidade favorável. O objetivo é modular a dor e melhorar a qualidade de vida sem depender de analgésicos.
Hábitos e alimentação
A prevenção envolve evitar gatilhos como variações bruscas de temperatura, estresse, luzes fortes e cheiros intensos. Também é enfatizada a redução do uso indiscriminado de analgésicos, que pode cronificar a doença. O estilo de vida é parte essencial do manejo.
A alimentação é tratada como fator modulável. Alimentos estimulantes como café, chocolate, guaraná e bebidas com cafeína podem intensificar a excitabilidade cerebral. Alimentos termogênicos também devem ser monitorados, conforme orientação clínica.
Riscos associados à aura
A enxaqueca com aura está ligada a maior risco de eventos vasculares. Dois mecanismos são citados: vasoespasmo que estreita vasos cerebrais e cardíacos, e alterações na coagulação que favorecem trombose. Em casos com aura, o risco de AVC isquêmico aumenta e requer vigilância médica.
A Headache Center Brasil continua ampliando a atuação multidisciplinar para oferecer diagnóstico precoce, tratamento personalizado e acompanhamento contínuo. A iniciativa pretende reduzir o impacto da enxaqueca na vida diária e ampliar a compreensão clínica da doença.
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