- Othon Bastos, com 92 anos, está em cartaz com o monólogo Não me Entrego, Não no Rio e fará apresentação em Recife no próximo mês.
- A peça revisita a trajetória do ator, homenageia colegas da dramaturgia nacional e, embora não seja biografia, mostra passos da carreira ao lado da profissão.
- Bastos conta que a peça surgiu de um encontro com Flávio Marinho, ganhou financiamento de Bianca De Felippes e já dura dois meses, com previsão de permanecer no cartaz por mais tempo.
- Natural de Tucano, na Bahia, ele narra a infância, a mudança para o Rio e a influência da família, especialmente do pai, que sugeriu que fosse artista, não dentista.
- Além da carreira, o ator fala sobre a luta pela cultura no Brasil, defesa da democracia, espiritualidade e a relação com a televisão, mantendo o foco na peça em cartaz.
Othon Bastos, aos 92 anos, permanece em cartaz com o monólogo Não me Entrego, Não, no Rio de Janeiro, com passagem prevista para Recife no mês seguinte. A peça revisita a trajetória do ator e reforça a defesa da democracia, em meio a lembranças de bastidores e desafios da carreira.
A apresentação, baseada no texto de Flávio Marinho, não é uma biografia, mas acompanha o percurso profissional de Bastos ao lado de colegas da dramaturgia nacional. O elenco conta com a Memória, função de apoio para momentos em que o ator pode esquecer falas, mantendo a encenação de quase duas horas.
Nascido em Tucano, interior da Bahia, Bastos teve infância na zona rural e mudou-se ainda criança para o Rio. O pai, poeta, não o pressionou a seguir engenharia ou medicina; optou por incentivar a arte, inclusive sugerindo que fosse cuidadoso ao escolher a profissão.
Trajetória e repertório
Ao retornar ao Brasil após Lisboa, onde morou dois anos, Bastos seguiu pelo teatro baiano, pelo Teatro Oficina e pela companhia que fundou com a esposa Martha Overbeck. O cinema chegou com o movimento do Cinema Novo, em que participou de projetos de Glauber Rocha e de outras figuras marcantes, incluindo o filme Deus e o Diabo na Terra do Sol.
Apesar de longos anos de carreira, Bastos mantém o hábito de pedir licença antes de entrar em cena e recorre a orações antes do início do monólogo. Em sala, ele destaca a importância de manter o respeito pelo palco e pela plateia, valorizando a presença de quem assiste.
Política cultural e posicionamento
Bastos afirma que o artista deve se posicionar, desde que sem impor ideias aos outros. Em sua visão, a democracia pulsa como valor central, mesmo quando há discordância entre perspectivas. O ator aponta as dificuldades da cena cultural brasileira atual, com redução de apoios e aumento de custos que impactam a produção de espetáculos.
O intérprete relembra ainda a época de censura durante a ditadura, destacando que algumas produções resistiram sem perder a essência, ainda que sob limitações. Sobre o papel do artista hoje, ele reforça a necessidade de manter a esperança e continuar lutando pela manutenção da produção cultural no país.
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