- Indhu Rubasingham, diretora artística do National Theatre, afirmou que o teatro conservador vai inviabilizar a indústria, ainda que ajude a equilibrar as contas no curto prazo.
- Em palestra de segunda edição da lecture Jennie Lee, organizada pela Arts Council England e pelo Department for Culture, Media and Sport, ela pediu renovação do compromisso nacional com risco criativo e novas peças.
- Ela citou pesquisa do setor de criação de novas obras do National Theatre, que mostrou queda de setenta por cento nas submissões abertas ao longo do ano entre dois mil e quatorze e dois mil e vinte e quatro.
- Também houve quedas de setenta e seis por cento em festivais de novas obras, quarenta e quatro por cento em cursos de dramaturgia, quarenta e quatro por cento de novas peças em palcos fora de londres e trinta por cento na capital.
- Rubasingham disse temer pela redução da diversidade de vozes no palco e associou o panorama a riscos para democracia, liberdade de imaginação e tolerância.
Indhu Rubasingham, diretora artística do National Theatre, afirmou que a produção teatral conservadora pode colocar em risco toda a indústria no Reino Unido. A mensagem foi proferida durante a segunda edição da palestra Jennie Lee, diante de cerca de 200 representantes do setor cultural britânico.
Ela pediu um compromisso nacional renovado com o apoio a riscos criativos e a novas escritoras e escritores. Em discurso no Dorfman Theatre, em Londres, Rubasingham destacou que investir na arte em tempos de recursos restritos exige coragem para agir.
Segundo Rubasingham, manter o foco no conservadorismo pode equilibrar as contas de alguns espaços hoje, mas compromete o futuro do teatro. Ela observou quedas acentuadas no volume de novas peças apresentadas e na abertura de programas de escrita.
A diretora citou dados do departamento de criação de nova produção do National Theatre, que indicam uma redução de 70% em teatros com chamadas abertas a submissões entre 2014 e 2024. Também houve quedas de 76% em festivais de novas obras.
Outras quedas mencionadas incluem 44% em cursos de escrita teatral e 44% na apresentação de novos trabalhos fora de Londres, além de 30% na capital. Rubasingham relacionou esses números a um possível estreitamento de vozes diversas no palco.
Ela explicou que o momento atual funciona como um alerta para a democracia, a liberdade de expressão e a imaginação. Em tempos de desinformação e polarização, o risco é normalizar a mesmice em vez de enfrentar a complexidade.
Rubasingham reforçou que o teatro tem sido um espaço de encontro para enfrentar nuances e provocar reflexão. Segundo ela, o segmento corre o risco de perder a capacidade de compreender o outro e de aceitar o desconforto.
Os dizeres da diretora ocorrem em um contexto de queda na produção de novas obras no setor, com impactos em públicas e oportunidades para criadores emergentes. O tema desperta debate sobre o papel cultural do país na próxima década.
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