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Handmade brasileiro se destaca no mercado de luxo

Handmade brasileiro ganha espaço no luxo, unindo técnica, memória regional e sustentabilidade em peças únicas que desafiam a produção em massa

A moda artesanal possui um tempo de produção que se difere do funcionamento das tendências de mercado
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  • O Handmade ganha protagonismo no luxo, com destaque para a coleção de inverno 2026 da Chlóe, que traz peças pintadas à mão e tricôs bordados manualmente.
  • O handmade é visto como qualidade, identidade e exclusividade, características que dificultam replicação e escalabilidade.
  • O Brasil se destaca pela diversidade de saberes artesanais, abrangendo fibras naturais, bordados e tecelagens, conectando tradição e autenticidade.
  • Marcas nacionais mencionadas valorizam o artesanal ao reinterpretar referências regionais, como rendas, crochê, couro e palha, com uso de matérias-primas locais.
  • Tecnologia e artesanal se dialogam: há exemplos de aplicações tecnológicas em pesquisas para ampliar a produção nacional, incluindo desenvolvimento de fibras naturais brasileiras e processos que unem ancestralidade e inovação.

A produção artesanal ganha protagonismo no mercado de luxo brasileiro, em consonância com a aceleração tecnológica. Peças pintadas à mão e tricôs bordados manualmente aparecem na coleção de inverno 2026 da marca Chloé, segundo a diretora criativa Chemena Kamali. O foco está na qualidade, na identidade e na dificuldade de replicação.

O handmade é apresentado como diferencial de valor, não apenas estética. Com domínio técnico e tempo dedicado, o resultado é peças com assinatura própria, menos escaláveis e mais difíceis de imitar, características centrais ao conceito de luxo.

No Brasil, a diversidade de saberes artesanais se destaca pela variedade de matérias-primas naturais, bordados e tecelagens. A tradição é conectada a um repertório que conversa com autenticidade e continuidade produtiva, além de apoiar economia criativa local.

Diferencial do fazer abrasileirado

O país, pela sua dimensão, oferece distintas tradições: Nordeste, com rendas e esculturas de madeira; Norte, com fibras de plantas e borracha; Sul, com couro e tecelagem. Oi; a variedade de técnicas reforça a identidade nacional no mercado artesanal.

Marina Bitu, cearense, utiliza crochê, renda, cerâmica, couro e palha, envolvendo artesãos na criação. A marca fundada em 2017 busca unir regionalidade e visão global, destacando matérias-primas naturais e texturas que remetem ao território.

Lisyane Arize desenvolve peças com bordados tradicionais do Bumba Meu Boi e rendas renascença de Maranhão e Pernambuco, ampliando o alcance das referências regionais. A presença de uma concept store em São Luís reforça a ligação com o artesanato maranhense.

Yasmine Paranaguá, da Glorinha Paranaguá, aponta o bambu como principal matéria-prima, oferecendo um produto circular que permite renovação constante pela plantabilidade do material. A linha utiliza o bambu para bolsas de produção nacional.

Tecnologia e o artesanal

A designers destacam que a tecnologia não anula o valor artesanal, mas pode coexistir com práticas tradicionais. Técnicas modernas podem acompanhar processos têxteis locais, como o desenvolvimento de fibras naturais brasileiras para substituir importações.

Flavia Aranha observa ciclos de moda: o retorno do manual acontece num momento de hiperconectividade, lembrando a humanidade presente no gesto artesanal. A marca estuda ampliar sua atuação para a indústria, com tecidos produzidos a partir de pesquisas próprias.

A Shauer enfatiza o uso de fibras naturais e técnicas artesanais reais, defendendo a qualidade como eixo central. A busca por mão de obra qualificada envolve visitas a diversas regiões do Brasil para manter prática artesanal autêntica.

A Aluf, fundada em 2018, desenvolve peças com matéria-prima 100% brasileira, incluindo colaborações artísticas. A marca valoriza processos criativos que associam memória, tempo e identidade, com peças que questionam a dinamicidade do consumo.

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